terça-feira, 19 de agosto de 2014

VIAGEM CCII - A (FALTA DE) PACIÊNCIA

Reprodução [endereço abaixo]
("chega!" Os limites existem e são proteção
contra ansiedade, contra permissividade.
"Assim fica melhor e mais tranquilo" - 
pensava quem um dia já crera que
podia se resguardar avançando sempre mais...)

Qual a limite da paciência?
Igual aos limes romanos ao sul, pelo Saara...
Paciência rima com felicidade?
Onde? Nos limes romanos ao norte, povoados de bárbaros.

Bárbaro mesmo é ser paciente com os muros cercados
impossíveis de serem escalados pelas mãos e pés apressados.
Qual o limite da sua paciência?
Sem limites? Daqui para o encontro entre Vênus e Júpiter?

Daqueles encontros que ocorrem de décadas em décadas...
Séculos... E assim vai pela contagem humana.
De limites em limites, tudo forma um cerco de proteção,
esvaziado por dentro talvez, pode ser, mas 

protegido do esticar demais a paciência
(cansara-se de paciente ser para o muito que acontecera)
Sim, ele decidiu acabar com tal sentimento/prática.

https://www.durhamworldheritagesite.com/heritage/list/roman-empire-frontiers

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

VIAGEM CCI - LÁ... BEM LONGE

Reprodução [endereço abaixo]

Trincados ossos, pelo frio.

Truncada vida, pela vida do outro.

Tremera o corpo todo, pelo coração.

Eriçados pelos, até mesmo aqueles que balançam.

Depois do frio de agosto - estando ainda em agosto, muito gelado -, ele resolvera viajar para muito longe com o intuito de deixar para trás qualquer vestígio, qualquer rota e apenas seguir. Por avião primeiro (porque pelo mar quedava-se enjoado só mesmo de pensar em ficar em cima de uma "coisa" que lutava para permanecer à tona; e mais, seu estômago tornou-se déspota esclarecido no quesito enjoo), depois alugou um carro quando chegou em terras distantes, comprou um novo celular, nova operadora no país que nunca visitara. Esteve aliviado e pacífico com todo este presente de cores novas, gente diferente, possibilidades nunca apresentadas até então.

Viajou para longe, mais de 10h de avião.
Sentiu-se tão bem que por um átimo, estimou que poderia morar neste novo lugar, aprender o idioma com diligência espetacular - tão comum nele. 
Beijos demorados e novas bocas assim que chegou; depois quis apenas aqueles inéditos lábios emoldurando um sorriso que vertia verdade em ritmo veloz e alucinante. Pôde então, abrir seu livro - de sua vida - e contar aqueles mais recônditos segredos escondidos nas profundezas de suas próprias trevas.

--- E quem não as tem, não é mesmo?
--- O que? As trevas ou os segredos?
--- Os dois, na verdade. E eu pude destrinchar tudo aqui para você sem me sentir menos, mais, pior ou melhor. Estou tão pacífico.
--- Agora é minha vez. Preparado?
--- Sempre, desde que te conheci.

E então, escutou tão atentamente os segredos e as trevas do outro que cada vez mais queria mais e mais escutar, saber e amar. E foi assim por todo o tempo em que desejaram ficar próximos.
Lá, em lugar muito longe de tudo que estivera até hoje. 

https://www.flickr.com/photos/anthonyowen-jones/7348595834/

sábado, 9 de agosto de 2014

VIAGEM CC - MAIS DO QUE A MODERNA TECNOLOGIA

--- Mentira, porque insiste em mentir assim? Você não fez nada do que eu pedi. Não sou seu chefe naquela sua empresa de fundo de quintal que você obedece feito um idiota com medo de perder o emprego...
--- Chega! Você sabe muito bem que eu lutei muito para ter este emprego e que se eu ainda não ganho mais do que 5 mil reais... É uma questão de tempo. Não tenho meu negócio próprio, como tem você. Que aliás, paga-se muito mal seus funcionários.

--- Não somos mais nada um do outro. Correto?
--- Hum... Me deve algumas explicações. Satisfatórias, claro! Do contrário, jogo no ralo. 
--- Ok, vamos lá. Apareci aqui feito um fantasma - que já me me falou isto - de mãos abanando somente porque saí correndo do meu compromisso para vir para cá para gente tentar se entender civilizadamente. Agora, já duvido desta civilização propalada berrando como você tem feito.

--- Definitivamente você não compreende nada. Nada!
--- Eu obedeço porque saí meio atrasado na corrida da responsabilidade e do comprometimento. Entende? Fiquei até mais tarde para terminar todo o desenho e o esqueleto do modelo vivo para expormos na próxima feira aqui em São Paulo. E mais: eu nem precisaria ter vindo aqui, bastava ter te mandado uma mensagem para o seu telefone mega moderno que só falta vocês treparem...

--- Está me colocando na mesma classe gramatical que o aparelho mega moderno?
--- Não me arremede. Estou falando sério.
--- Eu também! Eu quero transar com você, quero fazer amor com você, quero trepar com você. Meter, entende?
Silêncio do outro lado.
--- Ainda me quer? Pensei que...
--- Pensou errado. Eu te amo mais do que minha empresa, mais que meu tecnológico telefone. Mais do que tudo.

E beijam-se feito um beijo ancestral, há muito guardado e ansiado por todo o rosto. Bocas que percorrem dos pés à cabeça, sem senãos, despudoradamente. Não existe tecnologia que supere (nem que medeie) a ancestralidade do amor dos 2.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

VIAGEM CXCIX - IMPRESSÃO/EXPRESSÃO

--- Qual a sua impressão sobre mim não interessa.
--- A minha impressão não é das melhores não. 
--- Eu sei que não é, e desde aquela vez lá nos meandros que nos perdermos lá trás depois da viagem labiríntica que experimentamos com aquele chá que insistiu para que tomássemos eu pouco me importo o qual a sua expressão sobre a impressão que você insiste em expressar.

--- Eu sou insistente mesmo. Tudo porque eu quero que o tempo volte agora para gente ter tempo que virão mais unidos ainda.
--- A sua impressão não me importa e agora eu não quero mais me expressar!
--- Espera! Eu sempre ouço você, sempre ouvi! E sempre com muita atenção.
--- Atenção o cacete! Você é um péssimo interlocutor de tudo.
--- Piada! Piada! Porque discutirmos assim, com este viés de baixa, este viés de que "tudo 
está para se perder"...

--- Concordo! Afinal, eu não podia adivinhar o que você pensava... Mantinha-se de boca fechada, deduzindo coisas, imaginando fatos à minha revelia, criando uma atmosfera de seriedade que beirava o mau-humor.
--- Você nunca perguntava nada. Nada! Eu cansei de falar, falar como eu fazia no passado e você não me tomar pela seriedade que eu mereço. Nunca demonstrou interesse em meus anseios, em meus medos.
--- De boca fechada! Como eu posso saber o que se passa nesta cabeça se você permanecia com a boca fechada...

--- Sim, de uns tempos para cá, sim mesmo! Mas e lá trás? Eu cansei! O egoísmo que você tem entranhado em sua massa cinzenta é mesmo inatingível!
--- Ok, ok! Mais um defeito: sou egoísta. Sabe o que eu acho?
--- Não quer saber...
--- Eu acho - e foda-se se não quer saber - que você não tem mesmo que ficar comigo, afinal porque ainda formamos um par?

--- Porque eu ainda amo você!
--- Você falou! Em meses, depois de quase um ano! Esta é a forma que você tem que se expressar em um relacionamento.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

VIAGEM CXCVIII - O VENTO DO METRÔ

Frio o vento que sopra do metrô quando um trem vem ou parte para seu destino com os homens dentro de cada um dos vagões que o formam. O vento aparece pujante, cortante, insinuante para um afeto a 2 com a quentura daquela cama que dormimos em meios a edredons pesados de uma cor só.
Sigo, sigo sem pensar no dia de trabalho atribulado que terei pela frente até tantas da noite. Penso em você, dormindo, quente, mal conseguindo balbuciar um tchau. Lembro, porém, de quando fechava a porta do quarto, você venceu o frio e a preguiça e levantou-se em um pulo e me abraçou enrolado em uma das cobertas (que o fez tropeçar) dizendo "sabe que te amo". Rimos de sua quase queda em um abraço de aperto. "Como sou feliz", penso.
Eu sei. Mas cada vez que diz, eu gosto ainda mais de ouvir e amao você mais.
Como se fosse póssível.
O metrô, cheio, barulhento e apinhocado de gente com muita roupa no inverno de São Paulo.
Absorto que estou, lembrando de você, esqueço o vagão, esqueço estarmo debaixo de metros e metro de metrô abaixo da terraA.

AINDA NÃO TERMINADO



domingo, 27 de julho de 2014

VIAGEM CXCVII - RASURA EM UM RIO

Reprodução [endereço abaixo]
Ramificar nossos corpos entrelaçados.
Remediar nossas dores do dia e do mundo todo
Restabelecer-se com resiliência um frente ao outro
(Rasuras na minha cabeça - rotas antigas que me amarravam - e, agora, com sua mão que percorre meu corpo

Refestelo-me de grande prazer, estando eu então em frenesi).
Ritual de nosso amor que em um rompante, assaltou-nos causando
Rendição irrefutável, só para rasparmos o prazer um do outro até o fim.
Rolando pelo chão frio de inverno - mirabolantes posições com 

Rumo certo, minha saliva toda em seu corpo, testando, sentindo, cheirando: uma exploração repetida, fundada, robusta. E
Rasteira, relés, rica de suores e baixas de moral: rusticidade sem violência.
Rimando nossos arfares e gemidos, rútilos sob a luz esmaecida de um dia de inverno e chuva na megacidade, respondemos incontinente ao gozo que cavouca nossas pélvis.

Remelexos frenéticos
Rudimentares em seus pelos ruços, ruivos. 
Rubescemos não de vergonha, rubescemos do esforço que retalhamos para que cada um desamarrasse o 'respeito'.
Rouco, rouco como no fim da madrugada, murmuro o amor que tenho e 

Recebo juras rasgadas junto à barba cerrada que insisto em não refazer.
Rio, você ri, em meio à nossa ríade de prazer que permite a felicidade neste átimo em 
Rostos crispados em um ricto de tesão.
Rimos juntos ainda em respiração trôpega e alterada.
Revoltamo-nos contra o dia de modorra e ainda rimos escancaradamente depois do
Rio de gozo que riscou nosso lençol azul bem claro.

http://forum.thegamecreators.com/?m=forum_view&t=166698&b=3&p=14

quarta-feira, 23 de julho de 2014

VIAGEM CXCVI - O ANDAR DE SÍMIO

Reprodução [endereço abaixo]

Quadrúmano, como aqueles símios emissores de grunhidos de guerra quando ao ataque se lançam para saciar a fome que insistem em querer proteína animal. 

Simiesco como aquele que dá longos passos com as quatro mãos cheirando o ar com olhar de mau, de dominante, de alfa, que quer tudo em primeiro.

Territorialista, lutando para conseguir os melhores pontos de observação, para conseguir a melhor carne, para conseguir a melhor - e única - cópula.

Espumando de raiva, desejando a luta, com seu andar quadrúmano, avançando lentamente, bufando alto, rangendo os longos caninos, beiço para trás, mostrando toda a arcada dentária.

Para que tudo isto se com muito menos eu o dominaria docemente? Sem usar a força física (quer dizer, sem brigar com você) de maneira dominante?
Você podia ter vindo, bufando, rangendo, grunhindo, que mesmo assim eu o derrotaria com minha calma aparente e verdadeira.

O campo de tanta gente que é esta São Paulo - de uma dúzia de milhão quase - assistiria, então, ao homem mais feliz e realizado se você se permitisse à emoção de ter-me ao seu lado, caminhando junto com a mesma vontade de caminhar juntos por longo, longo, tempo na vida.
É a tal estrada da vida.

Mas você ainda está mais para ataques simiescos que humanos e mesmo com 99% de compartilhamento de DNA em mim e em você, aqui dentro, aqui no coração, ultrapassei os 100% e você... 
Ainda a estar caminhando como um símio quadrúmano de querer e não conseguir.

Quanto tempo irei esperar?
Certeza do tempo eu não tenho nem almejo ter. O que sei é que estando sobre meus dois pés já não sou um arremedo de humano...
Ereto como sempre.

http://feeds.feedburner.com/HalleeTheHomemaker

ELEITORES 2014

Eleitores por unidade da Federação; o total das 27 UsF soma 142.349.867 aptos a votarem. 
               %            milhões
SP
22,48
31,998
MG
10,71
15,249
RJ
8,44
12,014
BA
7,11
10,126
RS
5,84
8,312
PR
5,43
7,731
PE
4,60
6,546
CE
4,39
6,243
PA
3,60
5,121
SC
3,35
4,767
MA
3,19
4,546
GO
3,04
4,326
PB
2,01
2,853
ES
1,84
2,622
PI
1,66
2,367
RN
1,65
2,352
AM
1,54
2,196
MT
1,53
2,183
DF
1,39
1,977
AL
1,36
1,937
MS
1,25
1,781
SE
0,99
1,417
RO
0,77
1,098
TO
0,70
0,998
AC
0,36
0,510
AP
0,33
0,476
RR
0,22
0,307
Ext
0,22
0,296




142,350





SE
43,47
61,884
NE
26,96
38,388
S 
14,62
20,810
N 
7,52
10,704
CO
7,21
10,267

domingo, 13 de julho de 2014

VIAGEM CXCV - SERVIR AO REI

Reprodução [endereço]
Feito um rei, aquele rei lagarto incendiário de meados dos 1960 até o começo dos 1970, que de tudo faria para ter em seus súditos a admiração para continuar a ocupar o grande trono do grande país, formado por tantas misturas; vermelhos, negros, brancos e amarelos.
Os mais de 200 milhões. E imperar à vontade entre eles e poder dispor quando quisesse do que fosse e de quem quer que viesse e fosse.

Sim, com aquela aprazível vontade de servir a um bom rei - um bom imperador - que ajuda, acalenta e protege - que é "pontifex maximus" e que de tanto o quererem existe até mesmo um seleção.
Dos bons!
Dos quentes!
Dos felizes!
Passarem dias e dias em fogo que ardente que é, queimará todas as percepções equivocadas e então, o serviriam com extrema fidelidade. Sem anularem-se porque isto é para os imbecis fanáticos.

Conquistas de corpo todo, de amigos, de inimigos, de pobres, de ricos, de feios, de bonitos seres entre os que aqui habitam encarapitados uns em cima dos outros nas grandes urbes - do Oiapoque ao Chuí - e das pequenas cidades e dos rincões espalhados. Todos em frêmito em servir ao rei máximo que dispensa a coroa quase sempre e que quase nunca dispensa os louros da vitória. Sem esquecer as sempre esquecidas: as médias cidades (o rei nem poderia, mesmo que quisesse - em uma destas encontrou seu par de fala arrastada e de "R" retroflexo)

Debruçar-se-iam a novas terras espalhadas pelo Atlântico Sul, chegando então aos confins do continente para abarcarem de quentura no imenso continente gelado.
Lá o rei - feito o rei lagarto e sua barba espessa e cerrada de fios quase ruivos - levaria contingentes do continente já pertencente para ali iniciar nova colonização -  baseada no fervor em querer que o rei tenha prazeres, alegrias e dedicação. 

Seguirão então para o lado de lá do oceano, abarcando terras africanas, dominando com segurança, severidade para os fortes e justiça para todos - porque ele é um bom imperador. 
A próxima conquista serão as ilhas logo ao norte e a península que quase encosta na maior delas. Um mar de ilhotas com ganas de serem dominadas (o que tornará um verdadeiro passeio de felicidade e prazeres)

Porque ele é um bom imperador.

http://en.wikipedia.org/wiki/Laurel_wreath#mediaviewer/File:Lorbeerkranz_Zypern_rem.jpg

sexta-feira, 11 de julho de 2014

VIAGEM CXCIV - REFESTELAR-SE

Um depois do outro, seguidamente, em um total de... De... Acho que ele perdeu a conta depois do número 5, que ainda vieram mais em uma sucessão que lhe trazia poder, vontade feita, obediência e claro, uma sensação de ser desejado em absoluto e que os outros não se controlam para ter, mais forte que qualquer princípio de autocontrole.

Refestelava-se nestas noites que poderiam ser noites de segunda-feira, terça-feira, quarta-feira... Domingo. Começara a levar parte de sua vida assim já há alguns anos e cada ano que passava, havia um aprimoramento no rol do teatro da dominação. Refestelava-se, talvez como os imperadores das dinastias de Roma - tinha sonhos recorrentes nos quais era o chefe da guarda pretoriana.

"Ganhava" assim sua vida - algumas horas, seja dito. Não, ele não vendia o corpo ali pela praça da República, rua do Arouche, Parque Trianon, ou em clubes fechados. Nada disto. Nem cobrava seja quem fosse. Gostava de estar neste controle, de empurrar mais, de fazer chorar e de ser atendido. Depois pegava seu velho GT anos 80 - que fumava óleo quase todo dia - e saia ainda melado das salivas em profusão por sobre seu corpo.

Não era bom, tampouco ruim; porque um homem não pode ser medido no carácter exclusivamente pelo poder que tem e que recai sobre outros. Mantinha apenas a vontade de ter-se como príncipe, ou ainda, como rei, o qual "súditos" de todos as espécies pudessem ter acesso desde que demonstrassem o desejo e ânsia. E que lhe dessem prazer sofregamente - que se esforçassem, que precisassem.

Resultava em um modo de dominação que lhe posiciona como um homem alfa.