sábado, 19 de agosto de 2017

VIAGEM CCCXXX - AGOSTO ALÉM DOS CLICHÊS

Arq. pessoal - Av. Lins de Vasconcelos, Aclimação-SP
Agosto, o mês do cachorro louco?
Louco de quê? Farinha, mato, crack, bala, doce? Humanos também espumam pela boca...

Agosto, mês do cão louco, reitero.
Reitero, desvencilhe-se de clichês...

Agosto na história do Brasil?
Os que se foram... Bem, eles se foram e história não escolhe mês.

Agosto, sexta-feira 13, mau agouro?
Que nada, besteira! Este ano nada de 'caimento' de data assim. Só bons augúrios.

Agosto, mês do desgosto?
Desgostoso sem motivo sério; e desgosto mesmo é não ter $, o resto é só o resto.

Vacina na cachorrada?
Verdade, como em qualquer outro. A campanha apenas se intensifica.

Leão?
Muito egocêntrico.

Leão, insisto, quase o todo de agosto
Ego gritando, insisto. Muito senso comum.

Virgem?
Voragem, viagem e vertigem. E análises.

Augusto?
O Otaviano Augusto de agosto, é claro. Exemplo bom pra o oitavo.

Casamentos poucos?
O meu sim. O dos outros impossível responder: não sei.

31 dias?
Sim! Todos eles, para durar mais.

Agosto, frio, agosto de  vento?
Ao seu gosto... Sim. Vento e mais vento. E frio na medida para São Paulo

Agosto seco? Aridez?
Molhado neste ano e úmido e garoa e chuva e fora do estereótipo

Agosto, você gosta?
Gosto de agosto, ao meu gosto é o mês do ano: fora da curva, estigmatizado, invernal, envolto em superstições e etc

Gosta muito?
De agosto? Demais! O mês que vai, como nenhum outro, bater de frente com os clichês montados pela história dos homens.

Agosto... Nós?
Só nós. Faz de conta que São Paulo tem somente dois habitantes no frio de agosto.

domingo, 13 de agosto de 2017

VIAGEM CCCXXIX - RAZÕES PARA AJEITAR A VIDA

Arquivo pessoal - Bela Vista, São Paulo
Tudo para ele nesta vida, ou como ele afirmava nesta "miserável vida" (e ria de esgar), dava-se para dar um jeito, que não era o famosos jeitinho brasileiro. Este último, ele mesmo abominava todos os subterfúgios para se dar bem decorrentes destes arranjos e não que era o cara mais honesto do mundo, pretensão descabida e impraticável.
---- Não existe mais honesto  ou menos honesto, correto?  

E como ele quase sempre conseguia dar um jeito em tudo, se transformara no cara que mal-humor, amargura e rancor não o possuíssem. 
Podia ser no trabalho, no caminho para tal, na volta, em casa e na rua: sua lei primeira era não se exasperar.
---- Se o desespero tomar conta de sua cabeça você não consegue resolver nada. Digo mais: tudo vai piorar e um problema fica superdimensionado.

Reitere-se que ele o adjetivo "fodão" era aplicado a ele por estas características, apenas um detalhe: para ele esta aplicação era bem desgostosa. Por que? Bem... Porque, em primeiro lugar, achava-se um cara normal, destes que aos montes povoam o planetinha e, que, por isto, ele nem subiria neste "palanque" egoico para sambar na cara da tradicional família brasileira.
---- Sou um cara na média. Normal, mas longe de ser tradicional.

Aí ele mencionava uma costumeira explicação: sua família estava no panteão dos paulistas quatrocentões, desde os 1700 e poucos. Os quatro sobrenomes escancaravam, faziam a tradição explícita aos outros. Havia a tradição na heráldica bandeirante, tão somente. Porque ele rompera com alguns parâmetros do tradicional família brasileira (e paulista, óbvio).
---- Nossa! Sem esta de ser conservador, careta e policial da vida alheia.  

Ele poderia dar 400 razões para fugir deste tradicionalismo: que não tinha nada a ver com os sobrenomes todos, porque ele fazia questão de assinar (G.R.C. B. de M.) na rubrica. Nada disto. Bastavam algumas para romper com o tradicionalismo vigente. E todas elas se referiam ao seu modo de viver a vida e como ele se dispunha a crer que tudo tinha jeito.
---- Morte? Verdade: só ela mesmo para bagunçar a existência de qualquer... E bagunçar a vida daqueles que ficam. Estes sofrem agonizantes de saudade. 

Metrô, porque não tinha carro; namoro aos 40, porque casar-se estava no fim da fila; pai solteiro, porque adotara um menino de 5 anos; sexualidade resolvida, porque aceitara-se gay; casa no Cambuci, porque nos Jardins era muito caro; de bem com a vida, porque ao trabalho ele dava apenas o que o trabalha merecia.

Tentativas seguidas de ser feliz, porque deixa-se abater pelas agruras - inúmeras - da vida quedava-se para fora de seus anseios. Conseguia sempre ser feliz? Claro que não, mas nem por isto se abatia: isto fazia com que ele, uma vez depois da outra, tentasse. Assim sua razão se desenvolveu

terça-feira, 8 de agosto de 2017

70] CENÁRIO SP - DA INSANIDADE À TRANQUILIDADE

Arq. pessoal - avenida Paulista/SP
vibrante, e noturna, e matinal,
esparramando-se como só São Paulo sabe fazer
superdimensionado problemas e soluções

habitantes encarapitados em milhões, uma dúzia deles,
metrópole-alfa, cidade do mundo, megalópole brasileira
sul-americana, do hemisfério Sul, Ocidental

passeios por lugares aqui perto, nunca percebidos
o interior e suas ruas largas de paralelepípedo
 as ruas estreitas centrais, históricas de tanta gente

as grandes construções, modernas caixas de vidro
reflexos, tantos reflexos pela cidade
expondo-a, desabrida, ofegante e adiante

sobrados dos anos 50, casas modernistas
terraços, sacadas, flores, pequenas árvores
caminhos retos, tortos, sinuosos serpenteando o chão

o trânsito, tantos carros
avenidas Paulista, 23 de Maio, 9 de Julho,
Rebouças, Bandeirantes, Radial Leste

cavocar, o grande tatu do metrô, 
leva e traz, passeios trabalhos, 
território debaixo da terra é livre e solto

cores de alegria, as sete delas, 
e mais o prata, o preto, o cinza
e o céu de inverno de um azul mesmo intenso

o dia, a noite, as gentes passeando e trabalhando
relações de intercurso aqui perto, aí perto, lá longe
e em todos os lugares paulistanos ofegantes e grunhindo

e então... ele se dispôs a escrever mais e mais para tentar sanar
o que?
e precisava sanar alguma na sua mente?

a loucura, o zumbido nos ouvidos, o corpo elétrico para lá e para cá
ansiedade, impaciência que sempre teve
no corpo frenético hoje o que ele quer é um pouco de descanso

na brisa gelada da manhã invernal
muniu-se de um grande copo de café, amargo, 
e de tão amargo, despertou suas papilas

e imediatamente começou a escrever
abriu 2, depois 3 arquivos no computador
e pela primeira vez escreveu diferentes assuntos

crônicas, contos, pequenos romances iniciados
ficcionais - e nisto era bem bom mesmo!
olha! como ele era bom em imaginar e pôr todo os neurônios a trabalhar

voraz, vorazmente digitou até os dedos não mais aguentarem
vastidão de fonemas e letras
veloz, terminou tudo antes mesmo do almoço

e deitando-se novamente, nu em pelo
sentiu o ar gelado a lhe percorrer o corpo, eriçando pelos
e sentiu mais: a saudade daquele corpo insano que tanto lhe trazia a...

tranquilidade de viver em meio aos 12 milhões

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

VIAGEM CCCXXVIII - A DIFÍCIL DIGNIDADE DE SABER ESPERAR

Arq. pessoal - Pacaembu/São Paulo
Um silêncio antes da semana se iniciar, cedo, como convém aos que... Trabalham em procurar um novo emprego em épocas de crise. Murmura que "eu não criei esta crise, não desonerei empresários de imposto, nem roubei em empresa estatal... Só pago taxas e impostos que são tantos".

Deitado, esperando o telefone tocar, vindo do lado de baixo do Brasil: seu par, que, pelo novo emprego, ministrava curso em TI para novas lojas do complexo de linha branca vendida pela empresa. E sendo bem pago chefiando um departamento todo...

6h05 ainda nada.

Dispôs-se a pensar sobre gostos. E contragostos. Mantendo, entretanto, o vislumbre de otimismo que ainda tomava conta dele nestes tempos de crise perpetrada pelos poderosos políticos e empresários; decidira que não entraria em colapso depressivo por estar desempregado, como acontecera em todas as oportunidades.

Dignidade, para ele, se relacionava em intercurso carnal com estar trabalhando/pagandocontas/saldo; e ser digno de ganhar um salário razoável. Ganância? Lacuna deixada em branco. Ambição? Um pouco, tão somente. 

"Sou mesmo um pequeno-burguês. No lugar em sonhar ganhar um salário de R$ 30 mil talvez por mês... Mas não! Qualquer R$ 5 mil já ia me fazer feliz. Acho que falta um tiquinho de ganância, uma voraz ganância. Só que não sou assim".

6h15, ainda na espera.

"Gosto de $ de um tanto que eu não me perca em contas no fim do mês; se tiver uma sobra eu acho é bem bom
E gosto de tantas coisas. Podia fazer uma lista... Das grandes

Dignidade é olhar no mesmo nível dos olhos dos outros
Altivez é isto: nem menos, nem mais que ninguém neste mundo
Trabalho justo e pago devidamente por esta justiça

Ansiedade desgosto muito: fico aqui, deitado, me tocando, lembrando-me de você e nada do celular tocar me fazendo esperar
Manhã na cama sozinho? Nem preciso dizer

Café preto com você? Pode ser em qualquer hora: eu gosto
Ouvir você gritando da cozinha 'açúcar hoje ou adoçante' com sua voz tonitroante a reverberar pelo apartamento? 
Ah, eu gosto! Só para te responder: adivinha?

Saudade de você. Saudade do meu último emprego. Saudade de ligar pra você na sexta à noite e ir àquele rodízio que tanto gosta só para lhe ver comer com satisfação... Beber uns dois ou três chopes juntos... Carne, muita carne. E eu vegetais juntos, muitos vegetais...

Ah, que pequeno-burguês mais paulista da periferia eu sou , não é? Deveria sonhar para alcançar grandes lucros, ser mais agressivo, pensar mais em como me dar bem.
Mas isto não é dignidade. É vilania pura em altas doses...".

6h33
Telefone, enfim, tocou. Era você me dizendo bom dia e que logo mais à noite estaríamos juntos. Com um convite para passarmos juntos à noite toda, só nós. Agora vou levantar e inciar meu dia de matar a tristeza do desemprego".

Dignidade ele tinha, sempre tivera. Talvez, com clareza, faltasse um pouco mais de ambição agressiva - assertiva, para usar algo mais palatável - para nunca mais cair nesta situação de ter que contar com ajuda de $ vindo do seu amor, da cumplicidade que mantinham e do cuidarem de si. 

Dignidade era mesmo se manter com seu próprio sustento, força, seu pés; saber esperar dignamente sem o apelo do canto de sereia em se perder nas tentativas. O amor está em outro patamar. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

69] CENÁRIO SP - SORRISO: A VELHA CHAGA

Arq. Pessoal/ Pacaembu, São Paulo
Mais um daqueles escritos sob o manto da tranquilidade; conquistada que foi depois de muito esforço, com afinco canino... Sobre humano pode-se dizer, como quase tudo na Pauliceia Desvairada.

"o sorriso, em vãs tentativas na maior parte da vida
logrou êxito algumas vezes da vida dele,
lá trás - infância - quase nada pela pouca lembrança

depois, na adolescência um pouco melhor que nada, 
mas os sorrisos que aconteceram foram intensos
vibrantes e espaçados quase à insanidade de não haver

veio a juventude - transtorno sem-fim!
provas exigidas, luta interna, fingimento para esquecer a derrota
loucuras realizadas pareciam um paliativo infantil para uma dor "de amputação"

e veio, então, a maturidade adulta... Lutas e mais lutas
aqui mesmo na grande cidade alfa, São Paulo
encontrou-se, viveu e ainda vive um tiquinho melhor

a perfuração, o martelo, o ferro, o tétano
pontiagudo que perfura, que maltrata, que demanda,
que é "imperium"...

onde as chagas são os espinhos na carne
de alguns que querem ditar - e ditam - por dias que ecoam
que reverberam pelos tempos idos e talvez pelos vindouros

o que deve ser feito
o que pode ser feito
como deve ser feito

para quem deve ser feito, 
onde e porque e quando...
é mesmo inferno na Terra

o $, a ganância, o desrespeito, a consideração que falta,
para isto tudo o sorriso é chaga que não se vence
que se verga, mas não se quebra

um horror para alguns (é a tal velha chaga da felicidade), 
tão solitários, outros como seus aduladores "coitadinhos"
que se nutrem, que se viciam, que se canibalizam

hoje, em um sorriso estampado na cara rosto barbudo, anguloso, 
pelas ruas de São Paulo em simbiose com sua cabeça,
com seu coração; tudo nele hoje sorri

sem desespero, sem histeria, sem estultices
apenas cometendo a velha chaga de sorrir
porque assim se pode levar uma vida com um tantinho a menos de dor

para os detratores, para os incentivadores da dominância
o sorriso é arma que não se vence
é chaga incurável"

terça-feira, 1 de agosto de 2017

VIAGEM CCCXXVII - "QUEM É LOUCO DE CRER NOS HOMENS?"

Arquivo pessoal - Aclimação, São Paulo
No começo, ele mantinha sonhos e vontades advindas para realizá-los; isto lá na virada dos 20 para os 30 anos. Empenhava-se em possíveis relacionamentos, aprendia a ouvir (hoje é o seu forte), dedicação para fazer dar certo e um sem-fim de outras atitudes que denotavam seu comportamento esperançoso.
Louco! Louco mais uma vez. Louco mesmo! 

Das barrancas do rio Paranapanema, veio morar em São Paulo logo completados seus 18 anos. Curso técnico em informática/processamento de dados. Dinheiro para tanto? Das poucas vezes que obtivera sorte nesta vida, foi desta vez: seu padrinho, vereador mais votado na cidade de 7 mil habitantes, deu-lhe de presente o tal curso e estadia paga em quarto de família por 12 meses, nos Campos Elísios. Anos depois se formou em uma faculdade em TI; pretende um dia fazer algum tipo de pós.

Ele mesmo julgara o presente, à época, exagerado; mais tarde, aliás, coisa de uns anos, descobrira que ele ganhara as despesas pagas para que o seu mentor pudesse se redimir do relacionamento com sua irmã logo que ela se casara com o próprio filho. E que ainda mantém; às expensas de ela estar hoje viúva, o caso é ainda não oficializado. Na cidade onde o tempo nunca passou tamanha modorra, rezam as línguas das candinhas de plantão que o marido se matou... E que foi de desgosto. 
Louco mesmo se matar por isto!

Hoje mantém um pequeno, porém próspero negócio - em que pese a crise que vem assolando o Brasil desde 2014 - e vê sua clientela aumentar mais e mais. E vive para isto, tão somente. Hoje o frescor da vida que só a esperança traz deixou de existir. Agora, passados quase dez anos, prestes a entrar nos "enta", ele é pragmático, severo com ele mesmo e trabalhador incansável.
Loucura?

"Loucura é crer em ser humano, porque dos que conheci não se salvou nenhum. Loucura é crer que eu manteria o tal frescor dos 20 e poucos. Loucura mesmo, e das boas, é ganhar $ e viver sem ninguém. E por fim, é loucura achar que eu sou melhor que os desacreditados seres humanos são para mim: eu também desacredito em minha capacidade de me relacionar.

"Loucura é achar que a felicidade está no corpo de outro ser", dizeres da grande placa instalada na entrada do seu estabelecimento, completado logo em embaixo em letras menores com "prefiro, portanto, manter-me são".

sábado, 29 de julho de 2017

VIAGEM CCCXXVI - UMA DOSE DIÁRIA DE "DEMÊNCIA"

Arq. pessoal - Avenida Paulista, São Paulo
---- Um demente, é isto o que ele é. Nem converso mais com ele. Só um idiota e demente para agir desta forma.
---- Por que motivo você diz isto?
---- Eu não digo. Eu reafirmo. Venho dizendo isto faz tempo já. Só mesmo quem é muito distraído, ou na melhor das hipóteses, só quem é muito ingênuo para não perceber. Por favor!
---- Tenho uma visão distinta. Diferente mesmo. Olha só, vou enumerar alguns itens...
---- Itens? Esta é boa. Combina bem com o cara ali. Veja só, que cara mais contente, sorridente. 
---- Bem, ele tem todos os dentes da boca. Branquíssimos. Boa arcada. Barba distraidamente bem feita. Então, no caso dele, sorrir é um ponto a mais, não a menos.

Cara de fastio e um muxoxo ininteligível ao ouvir a última afirmação rápida do interlocutor. Ambos miravam tudo o que o "demente" fazia, observavam cada gesto e cada atitude. Porém cada perspectiva era diametralmente diferenciada uma da outra; bem como as razões para tal perscrutação.

---- Os itens! Vamos a eles? Perceba: ele tem amigos, ele namora, mora em uma casa boa e própria. Tem dois livros lançados e foi convidado para participar da Semana de Estudos Literários em Língua Portuguesa.
---- Onde? Em Lisboa?
---- Aqui mesmo em São Paulo.
---- O demente está desamparadamente desempregado. Total demérito.
---- Aprendendo fonemas com "DE", "M", palavras grande? Destilando doses cavalares de desdém? Está vendo? Também sei lidar com os fonemas.

E riu. E viu-se uma cara feia para o algoz do demente. Ainda rindo, entre os dentes, praticamente gargalhando, o outro continua a história.
--- Desdém: é isto. Quanta inveja, não é? E parece que você vem alimentando dia após dia este sentimento que deve amargar sua existência. Percebe que fazendo isto você se diminui aos olhos dele? 

---- Faz meses que ele está desempregado. E me falou que nem sabe se vai poder participar da 
organização da semana de estudos. Só mesmo um demente, bem longe da realidade, pode se julgar feliz estando nesta situação. Nem falo mais com ele.
---- Segunda vez que você fala que não fala mais com ele. Que vontade você deve ter de poder abraçá-lo de novo.

O outro pronto para responder diante da "fator abraço", mas o outro não deixa e continua.
---- Entendi tudo. Terminaram, quer dizer, ele terminou o que mal vocês haviam começado porque sua carga de negatividade enfraquece qualquer relacionamento. E você ainda gosta dele.

De raiva, o outro começa a chorar em meio à verdade que acabara de ouvir.
---- Porque se amargar diariamente assim? Todo dia você se auto-medica bebendo apenas o amargo que a vida oferece? E olha que a vida oferece tantas coisas.

O outro chorando, tenta balbuciar algo. 
---- Eu ainda amo, ainda quero abraçar, quero ter por perto. Mas ele nem quer saber de mim. Irrita tanto esta felicidade demencial que ele tem.
---- Revelador. Tudo o que disse é muito revelador. Pare com as doses de amargura.

Comoveu-se com o pranto escancarado e abraça para tentar um alento, pequeno que fosse, para minorar todo aquele sentimento de desdém, misturado com querer, com tristeza. Compadeceu-se pela carga viral exacerbada de amargura que acabara de presenciar.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

68] CENÁRIO SP - O MUNDO NA GRANDE CIDADE

Arquivo pessoal - Prefeitura de São Paulo
as ruas, as avenidas e as marginais,

casas, prédios, gigantes edifícios,

a mancha de urbanidade adensada

gente, muita gente, mais de 12 milhões 

indo e voltando, parando e continuando

centro, norte, sul, oeste e leste

se cruzam, se medem, se fincam em divisas,

ele mesmo vai e volta para o seu "castelo"
(ora, e não é assim aqui em São Paulo: onde se mora é o seu castelo)

mas sem conotação de inatingível

o que é intangível é conhecer os milhões que aqui habitam

e ele, sedento de gente, tenta ao máximo alargar os números

pelo metrô que cavoca o subterrâneo

pelas faixas onde ciclistas rodam

pelos cafés a imaginar um café em dupla
(ou em trio, porque assim quer mais vezes experimentar)

em uma fria manhã de julho

em conexão wi-fi em algum lugar, sempre pedida, 

aplicativos "convenientemente" tresloucados

e exageradamente baixados

para quê?

para ver a gente da metrópole

para poder travar conhecimento

para poder tratar de sua vida tão ocupada com ele mesmo

porque aqui há tantos e ele não quer,

não deve e não pode se trancafiar no alto de seu castelo

encarapitar-se por lá e ver o mundo de cima

ele quer o mundo que cabe na desproporcional 

cidade mundial olhando-o de frente

quarta-feira, 19 de julho de 2017

VIAGEM CCCXXV - "O FRIO DÓI", ELE FALOU

Arq. pessoal - Teatro Municipal SP
Neste frio que anda fazendo na metrópole brasileira, São Paulo vem tirando do armário tanto capotes, agasalhos, lãs, couros, meias, segundas calças... E o armário fica quase que vazio. Já o armário de alguns, na pessoalidade, pode demorar mais a se esvaziar.

O que ele quer?Até escreveu estas linhas que seguem aqui embaixo, com um café bem quente logo pela manhã de frio, marcando 7°C. Frio, tanto frio assim?

"o frio dói, todo o corpo dói
músculos retesados
no torpor enregelado que faz a pele secar
os pelos eriçarem...

entorpecido, torto e trôpego, dirijo-me à cozinha
para tentar um alento com um copo de café quente,
recém-coado,
e assim esquentar minhas mãos

luvas para digitar? complica
cama vazia? entristece
meia e mais um par nos pés? não adiantam muito
edredons, três? minimiza o frio... Nada mais do que isto

a garoa de São Paulo? Compõe bem a cidade
é uma das mil caras dos desvarios paulistanos
o frio dói?
dói sim, mas a dor aqui dentro nem mesmo morando em...

Onde? Mercúrio!
Nem lá, perto do astro-rei esquentar-me-ia
ossos, extremidades, orelhas, 
até as partes recônditas, sofrem

e meu coração, tão escondidinho?
ah... Este se resfriou em demasia
Verões virão, mas o frio de dentro dele... 
Nunca mais o despossuirá"

segunda-feira, 17 de julho de 2017

VIAGEM CCCXXIV - A CIVILIZAÇÃO CORRE, MAS OLHA PARA TRÁS

Arq. pessoal - Teatro Municipal São Paulo
Displicentemente os pés desnudos balançavam por cima da janela do carro, aproveitando a leve brisa do verão paulistano, mais quente que o dos ano anteriores. Nas mãos um cigarro daqueles que se fuma escondido (será?), soltando longas baforadas densas e espalhando assim o cheiro a metros de distância. 

Sem preocupação de nada, sentido-se bem é tranquilo, ali ficou por todo o tempo apenas vendo o movimento de pessoas perto e, ocasionalmente, mexendo no celular.

Em um dado momento, estralou alguns dedos apenas movendo para baixo. Pôde-se ouvir o barulho, verdade. Sem camisa, que estava envolta na cabeça - decerto para a proteção após a corrida pelo parque, todo o nada que o tal fazia continuou a ser feito. 

E um que observava com atenção, achou que aquilo caracteriza um abuso, uma ousadia para com todos. Mentira: era uma ousadia para ele, porque fazer tudo isto de dia, postar-se assim dentro do carro, quase desnudo, os pés perdidos pelo ar... E a calça social dobrada até o joelho? Ora, tal cena tornar-se-ia inadmissível em qualquer lugar "civilizado desta cidade. Deste país!", pensou o ser coberto de inveja pela despreocupação do cara reclinado no banco dianteiro de seu carro.

Munido de sua civilidade e bons costumes regrados pela sua educação, foi lá... Ou melhor resolveu chegar mais perto, ficar por ali, fazer algum barulho, olhar feio, emfim algo que pudesse espantar o "dolce far niente" instalado em uma das saída do parque que dava para uma rua sem saída.

Eram quase 17h. Foi empedernido certo de sua vitória contra o mal-estar da civilização (julgava ser um freudiano; e o era, mas bem às avessas) encarnado por o homem que ainda balançava os grandes pés ao léu. Chegando lá foi surpreendido pelo tal ser, convidando-o a dividirem o cigarrinho artesanal com a pergunta feita em seguida:

---- Estava te olhando mesmo. Até achei que demorou para chegar aqui, ficou rodeando, olhando, encarando. Achei também, você interessante e quase fui falar com você. Mas estou com uma preguiça. A fim de fumar?

E sorriu exibindo um sorriso que o mundo deveria parar um pouco para ver, para contemplar.
O "civilizado ser" prestes a explodir pela ousadia estapeando sua cara, quedou-se estático por alguns segundos; em seguida estendeu a mão para quase pegar o cigarro. Quase.

Fora desarmado, virou as costas e "civilizadamente" amedrontado até o último pelo eriçado de seu corpo pela naturalidade do cara do carro, fugiu mesmo. Correu, mas olhou para trás duas vezes.

Para o que ficou tudo continuou do jeito que estava: calmaria, baforadas, balanços...

sábado, 15 de julho de 2017

VIAGEM CCCXXIII - O DESTERRO E O BEIJO

Arq. pessoal - Ponte Cidade Jardim, SP
Em uma conversa quase meia-noite até então sobre amenidades supérfluas: nada de política, nada de futebol, nada de religião. 

Preferiam assim quando saíam para beber após a longa exploração  mês após mês em seus trabalhos (exploração regiamente paga, diga-se para constar).

---- Qual seu desterro?
---- Viver longe de minha terra. E o seu?
---- Desterradamente a solidão. 
Silêncio em um repente. uma respiração profunda e então uma fala de coragem e de perplexidade.

---- Solidão? Mas e eu? Pensei que fizesse companhia para você.
---- Sério? Pensa assim mesmo? Eu disse solidão porque o que fazemos juntos, além de estar neste bar-restaurante bem bacana e caro é tão somente sexual. E tem mais, eu preferia aquele bar na esquina de sua casa. Mais a minha cara. Aqui nem posso vir de bermuda.

---- Aterrou-se tudo agora. Pedir a conta, depois de ouvir esta. Acabaram-se as amenidades, decerto...
---- Não se afunde em meio a esta terra. Você adora aqui, esta cidade.
---- E você não. Vive falando que é demais de grande. Por que não volta?
---- Você me ajuda a dar mais tempo para esta cidade. Este desterro fica mais palatável, suponho.

---- E a solidão? 
---- Eu gosto, desta que é forçada e não optada eu me incomodo. E você... Bem, tem o melhor beijo que esta boca já experimentou. E veja, eu já experimentei diversas, inúmeras e variadas. 
---- E é só sexo. Porque mantém vazio seu sentimento. Que desterro não é?

Continuaram em silêncio até terminarem de beber, o que durou ainda uns 15 minutos; o desterrado, neste meio tempo, voltou a fumar depois de meses sem, e dirigiu-se à calçada e baforou longamente. Quem ficou, foi ao caixa.
---- Humano desterrado, já paguei a conta. Vamos lá em casa fumar outra coisa.
---- Vamos. Quero beijar mais, porque como eu falei antes é o melhor beijo que um desterrado amargo ser pode ter nesta vida toda. Neste planeta!

E foram. Um que gostava do outro e que queria que a solidão do outro desaparecesse, mas que sabia que sua companhia pouco adiantava (que erro insistir...), e o outro sem conseguir gostar de ninguém, talvez nem dele mesmo.
Beijaram-se até pelas entranhas tamanho era o desejo de estarem juntos àquela hora.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

67] CENÁRIO SP - MAIS BRASILEIRA DE TODAS

Arquivo pessoal - Teatro Municipal, Centro-São Paulo

Tantos por aqui, aos milhões
números, reais ganhos/perdidos

impostos, hotéis, parada gay, 
feiras, convenções, seminários, encontros (e desencontros?)
carnaval, GP-1, perto, longe

de sua casa
escolha, por favor... 
(se não quiser... resigne-se sem resiliência)

tantos lugares
Paulista avenida
paulistanos nascidos, adotados mortos

em sonho por algumas merecidas horas
em vigília por algumas devidas horas

mete o louco e diz que a cidade é sua
e isto mostra sua sanidade em perfeita condições

experimentar mais, beijar mais
olhar mais, agir mais ainda

assim é São Paulo, desvairadamente a 
mais brasileira das cidades

terça-feira, 14 de março de 2017

66] CENÁRIO SP - UM FILME DE LONGA DURAÇÃO

Monumento às Bandeiras/Arquivo Pessoal - São Paulo
uma cena de filme sempre se passa pelas ruas, quarteirões e casas da cidade de São Paulo; nos prédios, aqueles em altos, em sobrados, em vielas, nas esquinas dos delírios e por todo o lugar paulistano.

às vezes parece ser um filme mudo, de câmera de alta-rotação com as pernas em descompasso rítmico, em jogos de chiaroscuro, olhos que brilham e frases ditas por letras. Um filme noir, enredando mistério, sedução, morte e ladroagem. 


e o de terror? Algum bicho que emergisse do... Mar? Não, do oceano Atlântico sem chances. Longe uns 50 quilômetros daqui. Poderia vir das matas da Serra do Mar? Lá sim, pertinho do grande mar e que aterrorizaria toda a cidade. Destruiria as construções da Avenida Paulista, desceria a Consolação e derrubaria as construções históricas.


um épico, talvez? Desde a subida da serra, pelos percalços dos contrafortes impostos, pela garoa que enregela o corpo... De 1554 a 2017, os tantos fatos que aqui se sucederam seriam narrados em um filme - no caso um longa-metragem de 3h - que incluiria bandeirantes, portugueses, índios, negros. Toda a gente paulista/paulistana, imigrantes, os negros libertos; e homens e mulheres, de hoje e de todos os cantos da mancha urbana da Pauliceia.


Nada. O filme dele é bem previsível... Comum, normal, e que todos sabem o fim? Quem for assistir, claro, mas nem todos saberão do fim. Motivo: porque o filme dele, pelo acordo dele com ele mesmo, passou a receber mais incentivos de todo quanto é jeito, investimentos mais e até um arremedo de amor está rolando (daqueles que são açucarados, leves, engraçadinhos). Foi espichado para que ele não vá antes do devido tempo e também para que possa ter momentos de erotismo explícito. Ok, ok, de vez em quanto um daqueles pornográficos bem ao gosto baixo e ordinário.


("há que se aproveitar a vida um pouco, afinal eu ganho $ para isto e me mato todo santo dia para isto")


engatou um namoro tem uns meses, logo após ter desfeito um que durara sete longos anos ("sete é conta de mentiroso"), e todo o seu foco e para um final feliz que seja o melhor para ambos; mesmo porque estar feliz é um conceito que difere de um ser para outro e o tempo do longa-metragem deve variar por conta dos acertos e desacertos.


o que ele quer e luta é que, ao menos, seja de longa duração, com o cenário São Paulo dando vida a tudo para eles.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

65] CENÁRIO SP - À BEIRA DO PRECIPÍCIO, TUDO É PRAZER

Arquivo pessoal - Chuva/Aclimação/São Paulo
andando na beira do precipício, pelos prédios mais altos da cidade de São Paulo, ele pula de um para outro, como em um desenho animando no qual não há obstáculos à fantasia. 

sua fantasiosa andança tem nome: o auto-controle em "passear" por ali, caminhando no percalço, caminhando colado ao nada, pelos beirais, muros e adornos arquitetônicos (neste quesito, o Martinelli se sobrepunha - mesmo sendo um "anão" diante dos outros, quedara-se o preferido)

há bem pouco (meses talvez), caía a toda hora que tentava ali andar por estes lugares; claro do lado de dentro. 

e por que caía desabando ao chão igual a jaca podre do pé? pelo vento, pelo desiquilíbrio, pela vertigem, pela atração da queda, pelo vento entrando ferozmente em sua narinas (e gostava deste último fator), alargando-as? 

caía mesmo porque tudo o que fazia, ou melhor, tudo o que o impelia a andar pelos muros protetores dos altos prédios de São Paulo, possuía uma verdadeira relação com o uso, com o antes, com o que ele realizava insanamente momentos atrás. Atrasadamente, ele percebia que caminhar por ali adiantava alguns problemas... Afastando-os.

tamanho era o desejo e equilibrar-se que este se tornara uma espécie de remédio às avessas: em geral, para pessoas que querem se curar, o medicamento é adquirido para sanar um problema (lembram-se da insanidade citada logo acima? pois é... Paradoxal total); porém, no caso dele, o vício era para não se curar; era para se tornar mais e mais dependentes.

nestes lugares, o que ele via, como no COPAN, era a casa das máquinas; no Itália, a vista de 360° e proteção inócua do vidro blindex erguido para "uns idiotas que sucumbiram à tentação, e, deliberadamente, se jogaram". 

ele? longe de se jogar, assim pura e simplesmente, por protesto e/ou para causar problemas aos outros: ele é um sobrevivente, porque se joga por prazer, por resolução a médio prazo e para sentir o ar violando suas vias aéreas. Tinha a ver com ele tão-somente.
agora, me respondam: por que ele precisaria de mais motivos, um sequer que fosse.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

VIAGEM CCCXXII - TUDO BEM ARRUMADO PELA SOLIDÃO

Na "capital da solidão (?)" ele é o único habitante e "está muito bem assim", repete feito mantra hindu. Os milhões que habitam São Paulo são descabidos ali no endereço. Simples, concordam?

E mesmo assim emenda sempre em seguida quando se depara com a casa vazia, a cama impecavelmente arrumada todas as manhãs, com a solteira xícara de café (para levantar defunto, é claro), com o silêncio enternecedor diário e com a chuva que se queda nesta estação pela cidade - ainda que não seja as famosas águas de março fechando o verão.

Tudo em seu respectivo lugar, de forma que o que for procurado seja achado com rapidez: sapatos, gravatas, meias, cuecas, camisas e as vestimentas em geral.

Na estante, livros sobre o comportamento humano, estudos mil, desde a sexualidade às variações psíquicas dos grandes mestres; desde a história de Roma aos modernos arrazoados de como está a humanidade nestes tempos de refugiados aos milhões. Há também aqueles tratados que versam sobre o fanatismo religioso, sobre a intolerância, ou seja, "tudo tão característico do homem, não é?", murmura para as paredes.

Arrumados impecavelmente por assunto, e dentro deste, por ordem alfabética de sobrenome - claro, para poder ter tudo sobre controle (o controle físico, pois há determinados livros que el precisa ler duas, até três vezes - aconteceu com Dante de infindáveis versos).

Quem frequenta seu lugar (e quem frequenta?!), ao adentrar na soturna sala de tom monocromático com pequenas variações sobre este, percebe que ali mora um homem avesso ao contacto social, seja de qualquer ser humano. Independente do sexo, da profissão, da beleza, do $, quem frequenta é porque algo acontece que foge ao seu controle hermético: um problema irresolvível pelas suas próprias mãos. Podem ser o cara da internet, um encanador, e, evidente que sim, sua secretária faxineira que limpa o apartamento de dois quartos. 

Incluindo alguns aparelhos para ele se exercitar que comprara na Santa Ifigênia meses atrás: o ambiente da academia o punha enfastiado e se caracteriza pelo fato que ele nada podia fazer. Alterna em casa leituras do trabalho, leituras diversas e exercícios de grande variação.

Irrepreensivelmente, praticamente ninguém ali frequenta caso não seja de absoluta necessidade. 

O porquê? Alguns desavisados de inadvertidas reações talvez demorem muito em entender, ou ainda mais, nem desejem fazê-lo. Ele quer assim, ele mantém assim para que desarrumações fiquem bem longe de sua vida.

"A solidão traz uma arrumação que eu controlo, uma arrumação na qual eu me viro bem, sem interferências externas de gente para balançar meu entendimento, nem para bagunçar aqui dentro, nem meu sexo nem minha cabeça".

Tudo bem "arrumadinho" pela solidão.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

VIAGEM CCCXXI - "TOME, ENGULA O SAPO E SE RESIGNE"

Arquivo pessoal/SP
Preferia lidar com máquinas. E faz tempo que tinha esta preferência. Por que? 

"Bem, primeiro que eu posso bater, xingar, esmurrar e não vai haver lei de não sei das quantas, gritos e mimimis. Melhor ainda: posso jogar fora no lixo sem medo e sem dó e ir à loja comprar outro melhor, mais caro, mais moderno e mais tudo. Jogar fora 'mêmu', nem pra reciclar o traste vou levar. E tem algo que se recicle neste lixo?"

Lembrava-se, de quando em vez, que fazer sabão poderia ser uma ideia para resolver o problema todo. "Hum, mas pensando melhor, este processo de tornar os sapiens em sabonetes deve dar um trabalhão, nem mencionando que o perfume deve ser muito ruim". Ria com prazer toda vez pela lembrança.

Brincadeiras à parte, os computadores e máquinas afins e as nada afins, são tão simples de se lidar.
Verdade sim, são mais simples.

Então... Tome, e sem escapatória. Bem tomado, porque há que se lidar com os homo sapiens sapiens ("serão tão sapiens assim...?"), a menos que fosse possível, um dia quem sabe viver na total solidão - o que, infelizmente, é improvável. Os sapiens tem algum valor porque alguns deles produzem máquinas, cultivam a terra, conduzem carros, trens, aviões e navios, operam outros sapiens. Apesar que se matam, se destroem, se aniquilam. O pior é destruírem o ambiente à volta, animais, árvores. 

Então engula os sapos peçonhentos e espinhentos, bem engolidos, se se quer aturar aqueles que fazem algo construtivo. "É que viver sozinho não é auto-sustentável; gostaria que fosse, mas eu gostar ou deixar de gostar nada conta". Indigestos estes sapiens que se aproveitam, que enganam e, o pior, que mentem. "Ah sim! Porque eles mentem e é muito o que mentem. Das pequenas às grandes diuturnamente. Sem parar e parece mesmo que querem, os próprios, crerem nas tais mentiras exteriorizadas".

Para ele o que sobrava? 
Resignação. Por este fator, decidira viver o quanto pudesse sem contacto estrito que estabelecesse algum tipo de vínculo afetivo. Deixara de ser afeito a afetos. Ajudava na tarefa de Hércules porque realizava um trabalho que pouco necessitava do contacto físico e verbal com outros sapiens - era um escritor observador extremo e atento - o que trazia uma quase felicidade diante de tanta iniquidade presenciada todo santo dia.

Resignou-se por tudo isto. E mais, por ele mesmo.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

64] CENÁRIO SP - COMEÇO, MEIO E FIM: ONDE É TUDO ISTO?

Arquivo Pessoal- Pátio do Colégio/São Paulo
Meio atrapalhado com o começo e o fim das coisas. E das pessoas e dos sentimentos. Parece que combina com São Paulo que não tem começo nem fim - mas meio tem um montão!
Sabe, porém, que o local escolhido para ser o começo da história da metrópole e o tal Pátio do Colégio - ou, como está escrito nas placas históricas "Páteo do Collégio".

Narcísicos paulistanos? Egos que não se cabem? Que desconhecem um limite do razoável de onde começar e de onde parar para que os parâmetros de boa convivência não caiam em alguma val comum dos ditos "legais".

É porque aprendera que usar da humildade pode dar muito certo para descobrir onde começa e termina o ego, mesmo que de primeiro uso possa soar idiota e fazê-lo suar como tampa de marmita. 

Tanta gente ,tantos "eus" que se comportam com se tivessem porte algum no ramo ali do amor, sabem? Dizem que todos querem (pelo menos muitos afirmam, se é verdade... ele não sabe) este tal amor. E estes tais falam que nunca chega o tal amor porque as pessoas estão assim, são deste jeito, daquele comportamento e que cada vez mais são mais e mais narcisistas.

Opa! E estes parecem que só enxergam o rabo do outro. E o próprio? Só para constar, então, são os outros que devem ser menos egocêntricos/ególatras apenas? Quem "reclama" pode passar batido porque sabe do começo, do meio e do fim dos sentimentos mais nobres?

"A-hã", ele balbucia para ele mesmo debaixo da água fria do chuveiro em meio a um fevereiro quente e abrasador em São Paulo. "Uma cidade como esta que ata, desata, aumenta, encolhe, conhece, desconhece e ainda tem gente que só mesmo afirma que cabe aos outros a qualidade da humildade?"

Ele sabe - e aprendeu com afinco há anos - que humildade conta pouco. O que vale são os egos a serem massageados para verterem, transbordarem e ninguém saber do começo e do meio. Porque do fim ele sabe qual será destes que são os "imensuráveis"; dos egos que se perderam e que não sabem mais quando terminar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

VIAGEM CCCXX - O FAROL RESILIENTE

Arquivo pessoal - Av. 9 de Julho, São Paulo/SP

longe, muito longe, mais longe do que qualquer um de vocês possa imaginar

em um tempo atual e por isto o mesmo o abandono é maior

maior porque hoje há conexão para tudo, mídias sociais

narcisos, egos, fotos, selfies que imbecilizam... Espelhos que enaltecem (?);

então neste mundo de meu Deus

onde existe conexão para tudo...

para desamores e amores (talvez mais raros)

para a felicidade em geral, para a solidão forçada e

para a solidão optada... E a vida não vai além disto?

Bem, nem sempre na prática este "tudo" significa tudo mesmo...

Daí o abandono ser maior,

a solidão ser exagerada naquele farol de 30 metros

viu dias de sol intenso, secos

sentiu tormentas caírem do céu desbragadamente

granizo, garoa, salinidade... tudo poderia corroer sua estrutura

e corroendo ele estaria fadado a desabar 

do alto de sua imponente resistência/resiliência

por décadas tem sobrevivido assim

sem muito precisão de qualquer um que deseje um rumo à vida...

Resiste sento um afastado, um corroído, e um digno.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

VIAGEM CCCXIX - TIRO, TEMPESTADE, TUMULTO

Arquivo pessoal - Aclimação/São Paulo/SP

o tumulto de milhares,

a tempestade de verão,

o tiro perdido ao longe,

o tempo que pareceu estancar e vou contar o porquê:

a dor nas juntas

a diabete nas alturas

tamanho foi o espanto de todas as sinapses

tudo, àquele momento, resumia-se a mim e a você

típico de meu nervosismo

fechando janelas

trancando portas

fones de ouvidos para estar longe do tumulto...

trazia você um amor nas mãos

o coração na boca

e todo seu corpo para mim

abracei, apertei, mordisquei e trouxe você para dentro

longe do tiro, da tempestade e do tumulto.