quinta-feira, 21 de setembro de 2017

VIAGEM CCCXXXIII - ACERTOS E ERROS

Arq. Pessoal - São Paulo/SP
Uma cura? 
O amor. E a amizade sincera. E um tanto de $.
Uma doença?
O preconceito. A imposição de uma verdade apenas. 

Um erro?
Muitos ao longo da vida. Vícios, insônia, não amar, não ser amado.
Um acerto?
Quando eu encontrei você.

Um puta erro?
A ingratidão.
Um puta acerto?
Meu resgate por você.

O normal?
Qualquer um de nós aqui nos 12 milhões de desvairados da Pauliceia.
O anormal?
Também existem muitos: espancadores dos mais frágeis. Ah, e especistas também. Racistas, misóginos, intolerantes, homofóbicos também são anormais.

Uma cidade?
São Paulo em primeiro. E pode ser onde você estiver: eu vou até lá.
Um rito?
Eu e você, pelas entranhas, pelos beijos, pelos pelos e pelos suores.

Uma sensação boa?
A tranquilidade de ver você dormir.
Uma sensação ruim?
A demora, a espera, a impaciência.

Um som?
Fácil: você rindo. Enche a casa.
Um gosto?
Do seu corpo. Tenho sede dele.

Uma expectativa?
Suas ideias, sua mente.
Uma certeza?
A inteligência que vem de você.

Um beijo?
Nas reentrâncias e protuberâncias suas. E nas minhas.
Uma cama?
Para dormirmos, para sonharmos, para nos socorrermos em um sono agitado.

Um pesadelo?
A distância forçada.
O pior pesadelo?
Sua morte.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

VIAGEM CCCXXXII - OS ABRAÇOS

Arquivo pessoal - Avenida Paulista/SP
Lembro-me bem, como se fora esta mesma noite. Ainda bem que não é...

"Acordei no meio da noite, não sabia na hora, celular ainda carregando no criado-mudo, cego por um átimo, sintonizado em uma rádio on-line que tocava... Tateei, silenciosas 2h52.

Era eu mesmo, um quarto qualquer, em uma rua qualquer, cidade de quaisquer 12 milhões, a música, tudo parado, eu e apenas eu.
Eu ali, em repouso, tive medo do pesadelo da realidade, do dia a dia, da força de estar parado.

Empapuçado pela noite de calor que fazia, dezembro, fim de primavera/início de verão, o calor dos trópicos, suor, nudez nos lençóis. 
O ar abafado, ferro de passar roupa na cama tamanho calor que sentia, tirei a camiseta, a cueca, e fiquei inerte, parado.

Pela fresta da janela a luz mortiça de uma lua minguante, fixei-me lá e pensei que o ar deveria estar mais fresco.
Denso, abraçado em mim, fazendo mais quente, na solidão.

Pela rua do distante bairro, nada de vozes, madrugada.
Pela casa, só ele mesmo, imóvel, quieto, também pela madrugada.
Suspiro aqui, ressonando um pouco.

Suor pelo corpo, música baixinho, baixinho um travesseiro abraçado, outro na nuca e o olhos fitados em direção à janela. Anos 70 eu julguei, 'abraço a tua ausência', demorei para descobrir, na verdade de um pouco antes.

Estalei os dedos dos pés, sem me manusear, pra baixo, para cima.
"Comecei', meu corpo desperto, coço aqui, mexo nele ali, sede, água gelada goela abaixo, garrafa ao alcance da mão.

Toda ela, até o fim, térmica, trincando, estômago cheio, barulho de água dentro, sôfrego. Algo eu tinha que fazer, 1/2 litro, preencheu-me um vazio.

Calor que abraçava meu corpo! 
Mesmo nu, por aquela noite tive receio de permanecer insone, repetência de alguns dias, teve um dia que me levantei e tomei banho. 'Mas não hoje' pensei, a música, o tempo, este era o nome, 'não era?'

No quase silêncio, entristeci-me e arrisquei umas lágrimas, poucas, silenciosas, as de sempre desde... Desde... Disto não quis me lembrar.
Salguei-me mais, o calor, o suor, o choro leve.

Fiquei um tempo, não sabia quanto.

Viro de lado, do outro, inverto, pés e cabeça, lembrei-me de nós por aqui mesmo.
Em outros verões, cama quente, caíamos ao chão, esfregávamos-nos sem parar.

O luar se foi, vi nuvens, um ventinho gentil se precipitou.
De repente, o vento ficou mais forte, mais forte, rangidos na janela.

Arrepio, pelos eriçados, saudade. Saudade!
Vento que abraçava, um sono vindo, levinho, levinho, última vez, 5h07, eu e as horas ainda abraçados pelo silêncio.

sábado, 9 de setembro de 2017

72] CENÁRIO SP - O ATAQUE DO LADO DEBAIXO DO EQUADOR

Arquivo pessoal, Bela Vista-São Paulo
Àquela hora do dia de intensa movimentação nas ruas e calçadas a chuva veio para compor ainda mais o ambiente de fim de tarde. Meio fora de hora, pelo menos na intensidade, porque caía forte e pesada em uma época de chuvas magras. 

Para não se molhar porque havia esquecido o guarda-chuva no metrô, ele acabara de entrar no grande shopping recém reformado, ali mesmo no Paraíso, perto de sua casa. A intenção era passar um tempo até a chuva ir embora.

Pensou então em um café que deveria ser, obrigatoriamente, do tipo expresso - sempre segunda opção porque gostava mesmo do coado. Mas mesmo assim, resolveu sentar na confortável poltrona, amargar suas papilas gustativas e ver o movimento na praça de alimentação. 

Subiu três andares pelas rolantes escadas sem pressa alguma e por fim chegou na cafetaria que ficava ao lado de uma chocolateria estrangeira, belga ele supôs. Conseguiu uma mesa estratégica, de canto, que lhe permitia ver os outros restaurantes e "espiar" quem entrava e quem saía. O cheiro misturado de pó de café com chocolate gelado fez grande bem ao seu cérebro, já cansado do dia extenuante na produtora de vídeo.

Local quase lotado com muitos tipos diferentes em um espaço democrático que prezava por esta questão. Casais de mãos dadas, carinhos e afagos sem ter fim; casais formados por sexos opostos e, pela tal democracia mais travestida em diversidade, casais de pessoas do mesmo sexo. E um grande número de adolescentes barulhentos. Claro, os rapazes e moças da segurança com as roupas pretas - característica básica.

Tudo pronto: café com açúcar (pouco, é verdade) - "dança sem par" - e uma garrafa d'água quase congelada. Alternar o gelado com o quente podia fazer um tanto mal ao esmalte de seus dentes, porém lhe dava um prazer de gosto incomparável e assim o fez, lentamente, só observando tudo e a todos em volta. E olha que "os todos" tornara-se em número maior, talvez em decorrência da chuva. Parece que era mais que uma tempestade de verão longe do verão.

E fortes tempestades acontecem com frequência mesmo aqui na cidade do Trópico de Câncer, do lado debaixo do Equador. E parece que cada vez mais e com maior intensidade; pensou, quando levou a xícara à boca que é até tranquilo a questão de desastres naturais na Pauliceia: terremotos, maremotos, furações e o escambau não vicejam por aqui. E mais: ele gostava muito das tais chuvas quase de verão.

E foi então que aconteceu. Em um átimo, a correria para lá e para cá. Gente se trombando, criança chorando, uma senhora caindo ao chão e barulhos de disparos vindo de sua esquerda. Um casal hispter todo ensanguentado; uma mãe com seu bebê no colo que chorava desgraçadamente; duas senhoras se amparando mutuamente. Telefones gravando e filmando tudo.

Os tiros, que ele conseguiu contar, foram uns 7 ou 8... Podem ter sido 10. Pensando nisto e já em pé com olhos, ouvidos, braços para lutar se for preciso e pernas - ah, sim as pernas - já de plantão para correr se tivesse que ser, passa na frente dele 2 homens vestidos e cobertos dos pés à cabeça no que mais pareciam ser como aqueles radicais islâmicos. E eram! Saíram gritando em árabe frases soltas pelo ar. Minutos de tensão!

Um barulho seco perto dele: ele se vira e vê alguns corpos ao chão, inertes e "a sorte" de ver também um funcionário do restaurante ao lado cair pertinho dele ainda tentando segurar suas entranhas que insistiam em se desmilinguir para fora. O último olhar foi de um pedido extremado de ajuda em direção a ele.

Descendo as escadas rolantes, os terroristas se deparam com a força tática e policial de elite embaixo e quando empunham novamente suas armas, atiradores postados alvejam e acertam bem no meio do coco de um deles e o outro no ombro. logo acima do coração. Dominados pelo brasileiros ao sul do Equador estes vindos dos infernos do Oriente Médio.

Pisoteamento, correria, gritos, crianças chorando, estilhaços pelo chão, sangue, pessoas ziguezagueando sem destino. 

Chorou em desespero. E continuou a chorar mais brandamente ao ajudar a amparar o pessoal que trabalhava na cafeteria. Um caos instalado aqui mesmo nos trópicos brasileiros. Em sua plenitude de até então pacifismo, a metrópole alfa do hemisfério, da paz antropofágica artístico-cultural, São Paulo, teria um câncer terrorista a espalhar o medo? 

Aqui, sob a linha do trópico?

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

VIAGEM CCCXXXI - VENTO PELA FRESTA DA PORTA

Arquivo pessoal - Bela Vista, São Paulo/SP
Recebeu mais este (como dezenas de outros) vindo de um endereço eletrônico que lhe é desconhecido. Ele apenas arquivava e os relia depois:

"o vento, tanto vento que uiva pelas frestas das portas e janelas hermeticamente fechadas
(nem tão hermeticamente)

parece haver uma alcateia de lobos cinzentos que pastoreiam para comer uma presa
ou até mesmo o próprio pastor

ventania pelas frestas que o assusta tamanho é o poder de algo que não se vê
cheira-se, escuta-se, sente-se, tateia-se

pelo corpo desnudo, amarfanhado, largado pelo chão
após as horas de convívio que tira seu juízo

fá-lo perder o caminho de casa
(que perdição sem-fim)

fá-lo atrasar-se para a reunião
(se conseguir chegar)
o vento...
único companheiro depois da ida e saída...

pelos pés gelados aquele arrepio que percorre-o até a cabeça
e vem pelo vão do chão com a porta

lágrimas? hoje não, sequer as necessita
suspiros? não, o que tem é ainda a respiração ofegante

o cheiro de outro corpo em suas mãos e barba
(também em outros lugares)

esticado e preguiçoso de se levantar sente uma certa quentura no carpete 
confortável de madeira escura

da novíssima casa restaurada, recém inaugurada por eles
marcaram território

tomaram para eles o tal lugar, 
dominaram-na

mas o vento... Este não se pode dominar
nem aquele por debaixo da porta, nenhum

Para ele.. Basta se perder, desajuizar-se...".

sábado, 2 de setembro de 2017

POPULAÇÃO DOS ESTADOS DO BRASIL

Arq. pessoal/Aclimação-SP

Mais dados sobre estimativas de população divulgados e disponibilizados no site do IBGE, para agosto de 2017; sobre os 26 Estados + o DF. Dados também das 5 regiões do Brasil. Para mais detalhes só acessar:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2017/default.shtm


  habitantes        km²        h/km²
SP 45.094.866 248.222,0 181,67
MG 21.119.536 586.521,2 36,01
RJ 16.718.956 43.781,6 381,87
BA 15.344.447 564.732,6 27,17
RS 11.322.895 281.738,0 40,19
PR 11.320.892 199.308,0 56,80
PE 9.473.266 98.076,0 96,59
CE 9.020.460 148.887,6 60,58
PA  8.366.628 1.247.955,4 6,70
SC 7.001.161 95.737,9 73,13
MA 7.000.229 331.937,0 21,09
GO 6.778.772 340.110,4 19,93
AM  4.063.614 1.559.149,1 2,61
PB 4.025.558 56.468,4 71,29
ES 4.016.356 46.089,4 87,14
RN 3.507.003 52.811,1 66,41
AL 3.375.823 27.848,2 121,22
MT 3.344.544 903.198,1 3,70
PI 3.219.257 251.611,9 12,79
DF 3.039.444 5.780,0 525,85
MS 2.713.147 357.145,5 7,60
SE 2.288.116 21.918,5 104,39
RO  1.805.788 237.765,4 7,59
TO 1.550.194 277.720,6 5,58
AC 829.619 164.123,7 5,05
AP 797.722 142.828,5 5,59
RR 522.636 224.301,1 2,33
207.660.929 8.515.767,1 24,38
RSE  86.949.714 924.614,1 94,04
RNE 57.254.159 1.554.291,3 36,84
RS 29.644.948 576.783,8 51,40
RN 17.936.201 3.853.843,7 4,65
RCO 15.875.907 1.606.234,0 9,88
Brasil 207.660.929 8.515.767,0 24,38

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

MAIORES CIDADES DO BRASIL

Arq. pessoal, SP/SP
50 municípios mais populosos do Brasil, sendo dez localizados no Estado de São Paulo e sete no Estado do Rio de Janeiro e quatro no Estado de Minas Gerais; estimativas para 01º/07/2017 (para mais informações  de todos os 5.520 municípios acessar 
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2017/default.shtm ).
(Piracicaba conta com 397.322 habitantes)
São Paulo 12.106.920 SP
Rio de Janeiro 6.520.266 RJ
Brasília 3.039.444 DF
Salvador 2.953.986 BA
Fortaleza 2.627.482 CE
Belo Horizonte 2.523.794 MG
Manaus 2.130.264 AM
Curitiba 1.908.359 PR
Recife 1.633.697 PE
Porto Alegre 1.484.941 RS
Goiânia 1.466.105 GO
Belém 1.452.275 PA
Guarulhos 1.349.113 SP
Campinas 1.182.429 SP
São Luís 1.091.868 MA
São Gonçalo 1.049.826 RJ
Maceió 1.029.129 AL
Duque de Caxias 890.997 RJ
Natal 885.180 RN
Campo Grande 874.210 MS
Teresina 850.198 PI
São Bernardo do Campo 827.437 SP
João Pessoa 811.598 PB
Nova Iguaçu 798.647 RJ
Santo André 715.231 SP
São José dos Campos 703.219 SP
Osasco 697.886 SP
Jaboatão dos Guararapes 695.956 PE
Ribeirão Preto 682.302 SP
Uberlândia 676.613 MG
Sorocaba 659.871 SP
Contagem 658.580 MG
Aracaju 650.106 SE
Feira de Santana 627.477 BA
Cuiabá 590.118 MT
Joinville 577.077 SC
Juiz de Fora 563.769 MG
Londrina 558.439 PR
Aparecida de Goiânia 542.090 GO
Porto Velho 519.436 RO
Ananindeua 516.057 PA
Serra 502.618 ES
Niterói 499.028 RJ
Belford Roxo 495.783 RJ
Campos dos Goytacazes 490.288 RJ
Vila Velha 486.388 ES
Florianópolis 485.838 SC
Caxias do Sul 483.377 RS
Macapá 474.706 AP
Mauá 462.005 SP

terça-feira, 22 de agosto de 2017

71]CENÁRIO SP - AQUI VOCÊ PODE SER QUEM VOCÊ QUISER

Arquivo pessoal - Bela Vista, São Paulo
Tinham-no como estranho, esquisito mesmo, algo como fora de sua classe intelectual, ou ainda, longe do que um adulto de sua idade e posição poderia - deveria - ser ("fora da casinha" é o que mais ouvia).

Poderia porque se ele quisesse seria enquadrado com facilidade dentro do status quo, e deveria porque é assim que a maioria dos homens solteiros tinha que agir, pensar e todo o resto de faculdades humanas.

Morando na metrópole desvairada, antropofágica, europeia, africana, oriental e, por isto e mais e acima de tudo, na grande urbe brasileira e podendo desfrutar de tudo que a cidade oferece em termos de... Bem, em termos de, vestindo ternos bem passados pelo dia, apelo midiático e social. De dia vida centrada, costumeira e travando contacto com os "ditos normais"; pela noite, logo ao cair da tarde (o que no inverno era-lhe mais confortável porque antes das 18h já praticamente o céu se escurecera), entrava em uma maratona que ia até perto da meia-noite.

Qual maratona? De correr? Revezamento? Organizada por quem?
Maratona de se deixar envolver pelos desejos recônditos, de seus ângulos retos e de suas recôncavas áreas; escondidas pela luz do sol e mostrada pela escuridão da noite.
E vejam bem, ele fazia porque queria fazer, pelo prazer de realizar sonhos de outrem, seja quem fosse que ele escolhesse.

Tamanha atenção que ele dispunha para tal gente que ele se adoçava, ou melhor, parecia feito de açúcar, mel de tanta atenção recíproca que recebia. Sentia-se poderoso, mas sem despotismo; sentia-se rei, mas com atenção aos "súditos. E estes, ele possuía aos montes e que queriam seu corpo, seu cheiro, seu gozo e mais ainda... Suas palavras de conforto e companhia; o que mais lhe agradava: a companhia que exercia.

Descobriram certa vez - daí a esquisitice citada logo acima. Aqueles que o taxavam de esquisito tornaram-no inteligível a eles próprios, apenas porque, ele morando em São Paulo, ele poderia ser quem ele quisesse, até ele mesmo. Quando quisesse, como quisesse e por quanto tempo desejasse. Ele sempre fora esta pessoa... 

sábado, 19 de agosto de 2017

VIAGEM CCCXXX - AGOSTO ALÉM DOS CLICHÊS

Arq. pessoal - Av. Lins de Vasconcelos, Aclimação-SP
Agosto, o mês do cachorro louco?
Louco de quê? Farinha, mato, crack, bala, doce? Humanos também espumam pela boca...

Agosto, mês do cão louco, reitero.
Reitero, desvencilhe-se de clichês...

Agosto na história do Brasil?
Os que se foram... Bem, eles se foram e história não escolhe mês.

Agosto, sexta-feira 13, mau agouro?
Que nada, besteira! Este ano nada de 'caimento' de data assim. Só bons augúrios.

Agosto, mês do desgosto?
Desgostoso sem motivo sério; e desgosto mesmo é não ter $, o resto é só o resto.

Vacina na cachorrada?
Verdade, como em qualquer outro. A campanha apenas se intensifica.

Leão?
Muito egocêntrico.

Leão, insisto, quase o todo de agosto
Ego gritando, insisto. Muito senso comum.

Virgem?
Voragem, viagem e vertigem. E análises.

Augusto?
O Otaviano Augusto de agosto, é claro. Exemplo bom pra o oitavo.

Casamentos poucos?
O meu sim. O dos outros impossível responder: não sei.

31 dias?
Sim! Todos eles, para durar mais.

Agosto, frio, agosto de  vento?
Ao seu gosto... Sim. Vento e mais vento. E frio na medida para São Paulo

Agosto seco? Aridez?
Molhado neste ano e úmido e garoa e chuva e fora do estereótipo

Agosto, você gosta?
Gosto de agosto, ao meu gosto é o mês do ano: fora da curva, estigmatizado, invernal, envolto em superstições e etc

Gosta muito?
De agosto? Demais! O mês que vai, como nenhum outro, bater de frente com os clichês montados pela história dos homens.

Agosto... Nós?
Só nós. Faz de conta que São Paulo tem somente dois habitantes no frio de agosto.

domingo, 13 de agosto de 2017

VIAGEM CCCXXIX - RAZÕES PARA AJEITAR A VIDA

Arquivo pessoal - Bela Vista, São Paulo
Tudo para ele nesta vida, ou como ele afirmava nesta "miserável vida" (e ria de esgar), dava-se para dar um jeito, que não era o famosos jeitinho brasileiro. Este último, ele mesmo abominava todos os subterfúgios para se dar bem decorrentes destes arranjos e não que era o cara mais honesto do mundo, pretensão descabida e impraticável.
---- Não existe mais honesto  ou menos honesto, correto?  

E como ele quase sempre conseguia dar um jeito em tudo, se transformara no cara que mal-humor, amargura e rancor não o possuíssem. 
Podia ser no trabalho, no caminho para tal, na volta, em casa e na rua: sua lei primeira era não se exasperar.
---- Se o desespero tomar conta de sua cabeça você não consegue resolver nada. Digo mais: tudo vai piorar e um problema fica superdimensionado.

Reitere-se que ele o adjetivo "fodão" era aplicado a ele por estas características, apenas um detalhe: para ele esta aplicação era bem desgostosa. Por que? Bem... Porque, em primeiro lugar, achava-se um cara normal, destes que aos montes povoam o planetinha e, que, por isto, ele nem subiria neste "palanque" egoico para sambar na cara da tradicional família brasileira.
---- Sou um cara na média. Normal, mas longe de ser tradicional.

Aí ele mencionava uma costumeira explicação: sua família estava no panteão dos paulistas quatrocentões, desde os 1700 e poucos. Os quatro sobrenomes escancaravam, faziam a tradição explícita aos outros. Havia a tradição na heráldica bandeirante, tão somente. Porque ele rompera com alguns parâmetros do tradicional família brasileira (e paulista, óbvio).
---- Nossa! Sem esta de ser conservador, careta e policial da vida alheia.  

Ele poderia dar 400 razões para fugir deste tradicionalismo: que não tinha nada a ver com os sobrenomes todos, porque ele fazia questão de assinar (G.R.C. B. de M.) na rubrica. Nada disto. Bastavam algumas para romper com o tradicionalismo vigente. E todas elas se referiam ao seu modo de viver a vida e como ele se dispunha a crer que tudo tinha jeito.
---- Morte? Verdade: só ela mesmo para bagunçar a existência de qualquer... E bagunçar a vida daqueles que ficam. Estes sofrem agonizantes de saudade. 

Metrô, porque não tinha carro; namoro aos 40, porque casar-se estava no fim da fila; pai solteiro, porque adotara um menino de 5 anos; sexualidade resolvida, porque aceitara-se gay; casa no Cambuci, porque nos Jardins era muito caro; de bem com a vida, porque ao trabalho ele dava apenas o que o trabalha merecia.

Tentativas seguidas de ser feliz, porque deixa-se abater pelas agruras - inúmeras - da vida quedava-se para fora de seus anseios. Conseguia sempre ser feliz? Claro que não, mas nem por isto se abatia: isto fazia com que ele, uma vez depois da outra, tentasse. Assim sua razão se desenvolveu

terça-feira, 8 de agosto de 2017

70] CENÁRIO SP - DA INSANIDADE À TRANQUILIDADE

Arq. pessoal - avenida Paulista/SP
vibrante, e noturna, e matinal,
esparramando-se como só São Paulo sabe fazer
superdimensionado problemas e soluções

habitantes encarapitados em milhões, uma dúzia deles,
metrópole-alfa, cidade do mundo, megalópole brasileira
sul-americana, do hemisfério Sul, Ocidental

passeios por lugares aqui perto, nunca percebidos
o interior e suas ruas largas de paralelepípedo
 as ruas estreitas centrais, históricas de tanta gente

as grandes construções, modernas caixas de vidro
reflexos, tantos reflexos pela cidade
expondo-a, desabrida, ofegante e adiante

sobrados dos anos 50, casas modernistas
terraços, sacadas, flores, pequenas árvores
caminhos retos, tortos, sinuosos serpenteando o chão

o trânsito, tantos carros
avenidas Paulista, 23 de Maio, 9 de Julho,
Rebouças, Bandeirantes, Radial Leste

cavocar, o grande tatu do metrô, 
leva e traz, passeios trabalhos, 
território debaixo da terra é livre e solto

cores de alegria, as sete delas, 
e mais o prata, o preto, o cinza
e o céu de inverno de um azul mesmo intenso

o dia, a noite, as gentes passeando e trabalhando
relações de intercurso aqui perto, aí perto, lá longe
e em todos os lugares paulistanos ofegantes e grunhindo

e então... ele se dispôs a escrever mais e mais para tentar sanar
o que?
e precisava sanar alguma na sua mente?

a loucura, o zumbido nos ouvidos, o corpo elétrico para lá e para cá
ansiedade, impaciência que sempre teve
no corpo frenético hoje o que ele quer é um pouco de descanso

na brisa gelada da manhã invernal
muniu-se de um grande copo de café, amargo, 
e de tão amargo, despertou suas papilas

e imediatamente começou a escrever
abriu 2, depois 3 arquivos no computador
e pela primeira vez escreveu diferentes assuntos

crônicas, contos, pequenos romances iniciados
ficcionais - e nisto era bem bom mesmo!
olha! como ele era bom em imaginar e pôr todo os neurônios a trabalhar

voraz, vorazmente digitou até os dedos não mais aguentarem
vastidão de fonemas e letras
veloz, terminou tudo antes mesmo do almoço

e deitando-se novamente, nu em pelo
sentiu o ar gelado a lhe percorrer o corpo, eriçando pelos
e sentiu mais: a saudade daquele corpo insano que tanto lhe trazia a...

tranquilidade de viver em meio aos 12 milhões