domingo, 11 de novembro de 2012

57 - ALEATÓRIAS HISTÓRIAS - FAZENDO-SE NOTAR: ESPELHO

Reprodução [sítio abaixo]
Certa vez, durante um daquele sábados que parece que só mesmo São Paulo tem - em pleno novembro, temperatura de maio, nublado e um certo frio -, ele se mede dos pés à cabeça e observa todo seu corpo pelo grande espelho da porta do armário embutido, com tamanho gigante em retângulo. Não que seja propenso a este tipo de vaidade, que ele julga menor, mas ele vive em um mundo que julga muito a tal vaidade no sentido de estética exagerada (qualquer uma, não apenas as de linhas apolíneas; diferenças são, em certas ocasiões, apenas diferenças...).
E são de todos os tipos: intelectual, financeira, física, de força, e tantas outras. 

Olhando pelo espelho ele nota, com certo atraso ou desleixo, que seu corpo passa por modificações ao longo das 4 décadas de vivência neste pedaço de terra. Algumas partes mantém-se intactas, mesmo com as tais décadas, como por exemplo os pés - motivo de gosto para ele - que nunca tiveram unha encravada nem outros problemas inerentes; verdade mesmo é que os acha bonitos e um tanto rudes, toscos, algo "neolítico". Subindo, pelas panturrilhas... Hum, hoje são melhores de quando estava no ginásio (é, ele é deste tempo de nomenclatura), em razão de ter sido corredor durante uns anos na faculdade. Treinava os 110 metros com obstáculos. Hoje são fortes na medida, condizentes com o restante. Condizentes? Vejamos mais para frente...
De cueca cinza, modelo sunga, sua observação caracteriza-se pela tenacidade.
Hirsuto não é, mas têm pelos como qualquer homem na medida, na média que existe por aí; nas pernas são mais adensados e encaracolados em tom castanho escuro.

Enquanto se observa com vagar e precisão, os outros dois habitantes do castelo invencível, se esbarram próximos a ele e iniciam mais uma das brincadeiras matinais: é o horário no qual ambos estão mais ativos e Felino, mesmo com idade avançada já em anos, dá chapéu atrás de outro no Rex, o jovem com gás todo. Rolam pelo chão da sala e Felino sai em disparada. Rex nem sempre consegue alcançá-lo. E é bom que o conselheiro-mor não deixe, porque o príncipe se joga em cima e fica mordendo sua orelhas. Nunca houve desgaste nesta relação porque parecem que tanto um quanto o utro sabem dos limites que suportam. 
A cena sempre o diverte e hoje ele ri muito, porque Felino deu um leve vacilo e Rex então o abocanhou pelo rabo. Rolam pelo chão do quarto, perto dele.

--- É pelas pernas, eu acho até que poderia sair por aí mais, de bermuda ou shorts. Estão bem plantadas, feito poste quase e disto eu não posso me queixar. Brancas como o resto do corpo porque não vemos areia, nem sol, nem piscina há algum tempo. Bem, nem gosto disto. São boas, parecem mesmo. Eu gosto. Combinam com os pés meio magros e ossudos. Flexionando posso ver a batata se fazendo presente. Delineadas, ok! Pensar que eu nunca joguei bola... As coxas são "ok" e só, nem muito, nem pouco.
E ri dele mesmo.
Com a segunda xícara de café puro na mão, ele continua a análise, nem tão desencanada assim como ele mesmo deve pensar. 
Subindo a coisa toda pode melhorar ou piorar...

Acima das coxas, no seu pau, tudo ok, mesmo que não o use há tempos; não está adoecido fisicamente, a coisa é outra. Nem mesmo circuncisão sofrera, quanto mais doenças venéreas e congêneres. "Está de quando você veio ao mundo hein, 'camarada'!". Quanto ao fisiológico, sim, ele está com sua fábrica de prazer legitimamente intacta e que deve manter-se assim por hora - leia-se por sem saber por quanto... O que balança em par... Balançando permanece, como coadjuvantes principais, ou melhor, co-protagonistas, de filmes que atuara no passado (seus amores, seus encontros casuais).

Logo por ali, acima do púbis, uma concentração maior de pelos, sem ser uma mata fechada, o que deve ter vindo dos dois lados da família; de quando em vez, dá uma aparada para que os fios não se embrenhem demais uns nos outros. A cicatriz pegada ao umbigo - um corte em um acidente quando criança - fechava com chave não sabe se de ouro todo o quadro do baixo-tronco. E o abdômen com uma pequena camada de gordura que adquirira ao longo da comilança de porcaria diurnas e refrigerantes noturnos, em permanente vigilância. "Tudo, menos barriga de homem que bebe cerveja em pé na porta com os botões da camisa mal se fechando. Isto é mesmo uma grande derrota, o que descombina com minha pessoa". 
Marca de sunga nunca tem quase nada, quer dizer, teve uma época que encanara em tê-la, e ele, parecido com um alemão tropical de branco que é, deveria ter marca  de sol para destacar as partes proeminentes escondidas quando às claras. Gostava de sol, mas de ficar na praia... Faz tempo que assumira sua brancura mais que paulistana.
Mexe os braços, dá uma volta e abraça o ar. Tudo isto ainda à frente do espelho para reparar no corpo todo com atenção redobrada; retorce-se, agacha. Nada de pele caída nos bíceps e tríceps que guardavam um pouco da tonicidade.

Barba cerrada, "um arame farpado!" quantas vezes ouvira... Pelo meio das maçãs destacadas até para baixo do pomo-de-adão, espraiando-se desde que começara a puberdade. Por outro lado, as entradas nos cabelos, antes avançando cada ano que passava, agora parecem que estancaram, com os fios brancos lutando para se destacarem entre os castanhos que insistem em ser maioria - na última vitória.
Nota também que a quantidade de pelos nos ombros vem aumentando um tanto desde que começou a notar alguns anos atrás; assim como nas orelhas: quando vê um, arranca veloz e sem dó. Suas costas, de largura média, apresentavam pequenos problemas de dores, ainda mais quando passava horas digitando e lendo: tudo parecia se esticar com uma faca cutucando ali, logo abaixo do pescoço.

Os bichos se aproximam reclamando atenção e carinho. Bem que ele tenta continuar o estudo de si próprio ("e quem mais?"), mas com aqueles bichos se enroscando nele, a coisa toda torna-se impossível. E ele sorri para os 2. 

http://www.customworldbedrooms.co.uk/blog/index.php/category/sliding-doors/

domingo, 4 de novembro de 2012

VIAGEM LXXXVI - A FUGA EM PAR

Reprodução [sítio abaixo]

eu quero fugir,
eu quero que você venha comigo,
eu quero ir bem longe,
segurando na sua mão, dedos entrelaçados.
Mas se você não quiser
eu arrumo outra mão para segurar
pelo caminho antes de chegar
longe, muito longe.
eu quero ver você ao meu lado
quero ver você tranquilamente

sabedor que você está ali, 
comigo, lá longe.
Mas se você não for, 
eu quero ou outro alguém, seja na cidade,
na metrópole, seja na praia, seja na montanha
qualquer dia, todo dia,
acordar de manhã e
ver você que tanto caminhou ao meu lado.
Mas só se você quiser, porque eu não posso arrastar você,

só se pelo meio do caminho você cair, esmorecer e adoecer,
aí sim, carrego para sempre junto de mim
que mais vai parecer 1 só de nós 2 .
Eu quero chegar onde tivermos que chegar,
para que a gente (re)comece de onde paramos, 
que pode ser lá de trás, ou logo ali atrás,
porque aqui, agora, o tempo não importa,
não valorizo este tempo nestes termos
de quantidade dele...Anos, décadas... Nada disto.

Mas, por tudo o que vivemos e/ou viveremos
porque lá, diante daquilo tudo que será a maravilha
de ter você ao meu lado, nos ruins e bons momentos,
o que vai valer: nós valeremos, bem distante daqui.
Vamos comigo? Será difícil (e o que não é?), 
porque somos diferentes,
mesmo que fôssemos iguais, seria difícil também.
Mas teremos um ao outro, andando juntos, segurando-nos.
E esta é minha segurança. 

http://thestar.com.my/news/story.asp?file=/2012/10/30/worldupdates/2012-10-29T215131Z_52_BRE89P05H_RTROPTT_0_UK-STORM-SANDY-HURRICANE&sec=worldupdates

sábado, 3 de novembro de 2012

VIAGEM LXXXV - DENTRO DA ÁGUA

Reprodução [sítio abaixo]
Nadando por segundos finais debaixo daquela água de treinar apenas,
o som é turvo e grave, sem muita inteligibilidade para ouvidos
que vez por outra - e a outra também - doem por conta da água da piscina
azul clara cheia de cloro, como seus olhos que ficaram vermelhos em dias
de intensa tensão provocada pelas - agora em oceano - ondas do mar que,
bravio e insolente, insistia em bater, rebater, respingar
o rochedo que formava como um elo sem fim.

Debaixo da água ele esquece e se concentra na dor dos tímpanos,
mas ele esquece o mundo da superfície que de superficial,
cansou-o sombremaneira, sobretudo por conta destes por aí
que falam que mergulham de cabeça e não mergulham coisa alguma;
e se mergulham, eles racham a cabeça no rasante que fizeram. Por que?
Porque é raso como epiderme exposta ao sol de fevereiro, "com muito amor".

Debaixo da água, movimentos são sinuosos como de sereias a cantar
o canto que tanto ensurdece marinheIros deste tempos de epopeia idílicas,
como aqueles gregos espetaculares ouviam singrando o Egeu, o Jônico, 
o Mediterrâneo, o Adriático, o Tirreno e quem sabe o Negro, neste esperando Netuno?
Por aqui por baixo, nos trópicos quase sem história de séculos e séculos,
as ondas que ele tanto viu, voltam espumosas e salgadas. Arrebentam.

Ele mergulha e o mar o traga para baixo, mas não para virar comida de peixe:
virar um deles e apenas nadar, domir de olhos abertos e vicejar um outro alguém...
Que ele dê conta n'água, só espiando a superfície para expirar o ar e sem expiar mais nada
do que fosse irrelevante e mais ainda: o relevante.
No mundo debaixo d'água, ele nada sem cansaço. Meio azul, por hora meio verde... 
Sem sentir qualquer dor.

http://www.sergeyorlovphoto.com/extreme-sport-freediving/h1B509694#h1b509694

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

56 - ALEATÓRIAS HISTÓRIAS - AMIGO CACHORRO, AMIGO GATO

Reprodução, cão e gato [sítio abaixo]
Realizar do trabalho de impressão do livro "Meu amigo é um cachorro; meu amigo é um gato" está sendo dosa mais difíceis para ele em todos estes anos de difulcudades como velhos e novos autores; os velhos porque se julgam merecedores de todos os rapapés disponíveis wemais outros indisponíveis e por venderem bem - pelo menos até o último trabalho - pensam que todo mundo - leia-se a editora - deve-se ajoelhar entoando loas e agradecer por tudo; já os novos autores, com a típica arrogância, julgam que eles são a inovação, o tiro certeiro, a cartada final (os adjetivos usados aqui se referem não à idade e sim tão-somente à entrada no mercado de autores e livros editoriais).
Bem pouco tempo atrás, ele se contorcia na cadeira de raiva quando um estes tipos aparecia e mostrava toda a maravilha de seu 'ser-escritor incrível'. Hoje, mais comedido e com um gingado na cintura invejável, ele consegue até mesmo recitar em pensamento um pequeno mantra de paciência. E finaliza tudo com um sorriso também comedido de anuência e depois faz o que deve ser feito: sempre se contrapõe aos novos e velhos, homens e/ou mulheres.

A dificuldade se mostra já no título: ele não o quer. Razões existem de baciada. Uma delas é que está "gay demais" e também ao mesmo tempo - "Um paradoxo (?) mesmo", como ele pensou - machista além da medida. "O que eu posso fazer para demover o veterinário de insistir neste título nada a ver?"
Reunir-se-ão, logo mais depois do almoço, para manter mais uma discussão acerca do título, ele, o autor, um assessor do autor e sua secretária.
Antes, ainda na manhã, ele toma o terceiro café quase sem açúcar e decide sair um pouco de sua sala e descer até o térreo para espairecer um pouco. Celular no bolso verificando as últimas do mercado de ações da Bovespa porque tem algumas aplicadas em uma empresa estatal, das grandes e bem rentáveis.
Saindo pela porta giratória aquele mar de gente indo e voltando, homens e mulheres, que andam pelo calor no mesmo ritmo de todos os outros dias úteis. Atravessa a avenida calmamente e entra na casa de sucos e pde por um açaí "saído do polo sul agora mesmo".
Enquanto espera, ele vê que suas ações estão subindo quase 5%, o que nestes tempos é coisa boa, nem perce que o sorvete-suco está pronto saindo vapor de frio de tão gelado.

"O que eu vou falar para o novo autor com relação ao nome? Ele me parece ser um cara decidido, firme em suas opiniões e acho que convencê-lo a mudar não deve ser tarefa fácil não. Mas este nome? Sei não, pode ser um grande encalhe... Pode ser".

Olha o relógio, marca o gasto com o gerente porque tem conta na "Sucaria Paulista" e sai ainda com o copo nas mãos Vê uma cara, que quase dá um encontrão nele apressadamente  passeando com um grande boxer macho meio adolescente, babando de espumar pela boca.
--- Desculpa, o Duque é atrapalhado que só vendo mesmo. 
--- Sem problemas. Ele deve estar com sede.
--- Está sim, por isto que voltar para casa logo para beber água e se deitar no chão frio da lavanderia, com as pernas abertas, lugar preferido dele. Depois da cama do gato que ele nem cabe mais.
--- Você tem um gato também?
--- Tenho e eles não se largam, vivem junto um do outro, dorme juntos, comem juntos.
E começam a conversar como só donos de cachorro pachorramente fazem quando se encontram desprentesiosamente. Ele acaba dando o resto de açaí gelado para o cão que gostou muito de ideia.
Subindo pelo elevador de serviço e cheio, com o ar-condicionado no máximo, ele muda de opinião em um átimo sobre o nome do livro.

"E porque não 'Meu amigo é um cachorro; meu amigo é um gato'? É diferente, é chamativo, é inusitado. E o que é um homem se não puder mudar de ideia logo depois de dobrar uma esquina com o pensamento fechado em uma questão? Ora, este sou eu e assim vai ser o nome e vai ser um sucesso de vendas. Vou ligar já para aquele jornalista que cobre novos lançamentos de livros para ele soltar um notinha em sua coluna, no site e no jornal amanhã. Já começei a definir a estratégia de marketing, agora preciso comunicar o departamento".

Além dele, do conselheiro-mor e do príncipe herdeiro, devem existir muitos outros mais por São Paulo. Devem não, existem, como ele acabara de comprovar diante da cena anterior.
Adiará o horário de almoço para depois da reunião das 14h. Pode ser mesmo que ele, o autor veterinário e um dos revisores-assistente saiam todos para comer juntos. Devem comemorar o início de uma parceria de muito $, de muitas exemplares que serão vendidos. Ele contabilizará mais um em sua carreira. 

http://ocdeals.ocregister.com/2011/04/03/cheap-things-to-do-this-fine-sunday/91083/cat-and-dog-friends/

domingo, 28 de outubro de 2012

VIAGEM LXXXIV - "ELE QUERIA SER O CÉRBERO"

Reprodução - Cérbero [sítio abaixo]

E fazer festa abanando o rabo como um cão domesticado e feliz quando chega alguém no portão, tão amável e dissimulado; mas não impassível. Para farejar tudo o que pudesse daqueles corpos e almas, ainda não penadas, porque a penalização mal terá acabado de se desenrolar feito novelo.
Mesmo uma lambida de boa vindas com a saliva grossa e viscosa - uma marca - que não sai mais da pele, ser-lhes-á dada até serem entronizados no grande quarto logo depois da entrada.

Ele queria ser o Cérbero para quando estes que entraram, quiserem sair, transformar-se-iam em pedaços que juntando tudo pela eternidade, a eternidade seria pouco tempo; seriam milhões de pedacinhos rotos.
Fazer como um cão sem dono vasculhando de longe o terreno dos vivos percebendo cada vez mais pelo faro os penetras no mundo dos mortos; aqueles vivos que morreram desta para pior.

Sentir o enxofre desde o início da caminhada subterrânea para que todos saibam que por este veículo de bancos duros e desconfortáveis do vagão que desce rumo àquele reino, o odor os envolva até causar dor de cabeça para todas as horas. O que é um aviso para irem se acostumando com o ácido de todo dia e toda noite sem falhar um minuto 
sequer. Denso, repugnante e pútrido.

Acorrentado como ninguém prometeu em vida, Cérbero possui uma boa zona de conforto com a distância de suas amarras, as quais lhe permitem quase chegar no topo e descer até seus portões; ninguém escapa depois de adentrar no buraco com o sol ainda em nesga a bater logo ali... Na entrada. Mal sabem...
Ele fica ansioso andando para lá e para cá arrastando a pesada corrente de ferro quando ouve o vagão descendo bem longe. Se o barulho de guincho do rolimã se confirma ele para. Fareja o ar, orelhas em pé, boca sem arfar. Atenção ao que vem lá de cima porque não mais sairão: porque não merecem.

Há tempos de muito movimento neste desce-desce que não tem mais fim e há tempos em que o movimento é menor. Nestes, Cérbero sobe quase à superfície e fica ganindo baixinho para que algum lá de fora  e de cima o ouça e se aproxime. Fica assim quanto tempo for preciso, com a precisão do relógio do tempo eterno, e só retorna quando a descida com o convivas se inicia ou quando sente uma puxada na sua corrente feita pelo seu dono que habita onde ele guarda.


Melhores são as vezes nas quais o movimento é intenso e desmedido. Ele trabalha com mais afinco e gosto porque acontecendo desta monta, a possibilidade de tentativas de fuga da ante-sala aumenta, e então, é quando ele realiza sua função de guardião de saída do reino dos mortos: ali não há saída. 
Porque para sair, Cérbero estará lá impedindo e acabando com a vontade de deixar o local para o qual tais que desceram foram destinados sem desatino algum, apenas com certezas.

http://ferrebeekeeper.wordpress.com/tag/vergil/

sábado, 27 de outubro de 2012

VIAGEM LXXXIII - TRUCULENTOS E ARROGANTES

Reprodução [01 sítio abaixo]
Pronto, mais um sábado de manhã para se deleitar com preguiça em prazeres da "carne" como fazia o cérbero ao guardar as portas do inferno e vigiar quem estivesse por lá. "Será que as três cabeças comiam ao mesmo tempo a carne dos 'pobres' moribundos que lá iam dar com seus costados de podridão em razão da vida que levaram aqui na superfície?".
Ele gosta mesmo é de pegar os truculentos que exercem toda sua "doce ternura" truculenta tanto fisica quanto psicologicamente. "Porque estes são os piores!"
No meio da manhã o calor se fazia gostoso e lascivo, como convém a nós, povo tão moreno e tão sexualmente fetiche de outros povos, de acordo como somos vistos em outras partes brancas e amarelas do planeta. Lascívia esta que os habitantes dos quatro pontos deste país gostam tanto de reforçar e dissiminar nada dissimulados mundo afora. E começam cedo, com nossas crianças tratadas como pequenos objetos (inocentes?) de desejos artísticos. "Estes pais e, mais ainda, estas mães são tão truculentas porque querem algo que muitas vezes os filhos não querem e se querem é em virtude de uma educação de sexualizar precocemente...".

Conservador e autoritarismo formam um duo em que ele não bebe nada daí.
Nem bebe nada de conceito algum, apenas ele vai lá, observa, escolhe e realiza. Nada além disto (porque ele nasceu para tanto). Ele forma o conceito que pode ser mutante ou duradouro até quando melhor lhe aprouver.
Reprodução [02 sítio abaixo]
Ele bebe é do que ele vê e vê muitos erros pragmaticamente programados para serem cometidos por alguns que, exercendo a truculência, impingem dor, tristeza, mutilação, abalos psicológicos, suicídios, acabrunhamento... Uma série de sentimentos que não combinam com o sol que batia no braço esquerdo, quente como só ele mesmo. 
Passeando pela urbe que não tem fim, indo para lá, para cá, vendo toda a cidade e suas pessoas, os milhões que transitam...
Há dois tipos que ele abomina com verdadeiro horror e são o alvo primeiríssimo em qualquer vez que saia para fazer o que tem que fazer: os arrogantes e truculentos; que nem sempre se combinam em uma mesma pessoa.

"Quando acontece de estas duas tão ternas características humanas se casarem em uma mesma pessoa... 'É com este que vou sambar até cair no chão...'. Porque não posso deixar passar né? Não que seja difícil assim, mas não é o mais usual, fato... Também porque quando o ser é arrogante, mas ainda mantém um mínimo de inteligência, ele disfarça a truculência. Coisa, aliás, nenhuma das duas quer dizer, se relaciona necessariamente com o poder do $. Tem desvalido, pobre, favelado e afins que também se encaixam no perfil. Claro que os poderosos, a eles lhes é mais fácil exercer a truculência aliada à arrogância, sendo estes os mais imbecis porque são os mais fáceis de pegar e acabar".

Reconhecer um dos alvos de hoje é tarefa fácil, "é mel na chupeta", coisa que em todos os casos é confirmado que o seu radar, mais uma vez e sempre, correto estará.
Andando pelas ruas que cercam o parque da Aclimação nada encontra e decide andar mais com o seminovo sedã de velho até o parque Villa Lobos, bem longe mais ao sul da zona sul onde ele está. Poucas vezes dirigira-se até lá e por isto, resolveu passear calmamente apreciando a paisagem urbana; antes uma parada para comprar litro e meio de água, tomar um café coado na hora, nem dar bola para o início da fome.
Pelo caminho com a boca amargada pela cafeína sem açúcar, a água chega à metade antes mesmo de percorrer a metade do caminho; quente e frio tudo ao mesmo tempo. Som ligado na mesma rádio que toca músicas eletrônicas suaves para contrapor à truculência e à arrogância, como a água e o café: são opostos e complementares.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

VIAGEM LXXXII - COM A CARA NO CHÃO

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Acordou assim, com a cara no chão, sentindo o vento gelado uivando pela fresta da porta, depois da festa em seu apartamento. Ele não conseguiu nem manusear a chave na fechadura caindo por ali mesmo, quase pela manhã de sábado. Neste instante, a manhã já estava iniciada e com chuva forte.
E porque estava de fora, se porta adentro é tudo seu?
Ele não tem a menor ideia. Estava do lado de fora, sem mais nem menos.
Rosto amassado e decerto marcado, pés descalços, vestido com o jeans desabotoado e camiseta amarfanhada pelo chão; as botas logo ali, no segundo olhar... Ele mesmo parecia um pano de chão de bar de estrada. Ainda sem forças, passou a mão no bolso traseiro e achou a carteira, que parecia intacta; e o que incomodava no 5º bolso? Sim, as chaves.

Quando abriu os olhos definitivamente, em uma perspectiva que ele jamais pensara em ter - pelo menos daquele jeito -, viu o que o estrago corporal martelava feio em sua cabeça: uma ressaca braba, com as luzes internas do andar que só ele morava ardendo em seus globos oculares.
(prédio recém-inaugurado, perto do nova estação do metrô, e ainda não totalmente ocupado; tinha 18 andares, o dele o 11º, com três por andar, com sacada, dois quartos, lavanderia, armários etc)
Não conseguiu precisar que horas poderiam ser, nem mesmo se levantar. O esforço para verificar a carteira sugou suas forças. Manteve-se intacto e até que gostou de ficar assim, o movimento de antes soou um sino dentro da cabeça.
Ouvia barulhos no andar de baixo, mas no dele... Nada, ninguém da manutenção se movia dentro dos apartamentos, porta alguma se abriu, nem o elevador por ali parou. Barulho mesmo só abaixo...

O chão - quadriculado milimetricamente em quadrados pequenos em dois tons de cinza que quase se misturavam estavam cobertos de pó de alguns dias - parecia ainda mais gelado do que o costume. Costume esse era de quando saía descalço para receber algum amigo no corredor de entrada e só. Enquanto olhava o que podia fazer, vislumbrou o chão de Congonhas. Mas agora, na posição que se encontrava, seu corpo doía de gelado. Bem, podia ser da bebedeira de algumas horas, ou podia ser de alguma briga que se envolvera, o que não era costume. Brigaria porque? Nunca foi disto. Fato é que lhe parecia ter tomado uma surra, apanhado e batido.
Ficou matutando as horas de recepção em seu apartamento, tentando recordar-se quem veio convidado, quem veio de bico e quem trouxe amigo do amigo do amigo... A lista inicial elaborada comportava 20 pessoas de seu mais íntimo círculo: os amigos de sempre - incluídos dois primos -, o casal vizinho de cima e três colegas do trabalho. Todos estes conhecidos. O que tornou-se difícil àquela hora, buscar os rostos desconhecidos. Daquele número, no auge da festa, tinham umas 40 pessoas, talvez 50.
Minutos de intensa concentração e nada... Veio um alento nesta coisa toda: a faxineira devia chegar às 10h, lembrou-se. 
"Ainda bem porque ela vai ajudar me levantar e deitar na cama. Aqui está frio e duro como... Como... Chão".

As portas do elevador se abrem e ele vê os pés de sua salvadora. Mais um esforço e logrou se virar para que ela o pegasse pelos braços. Finalmente, entrou cambaleante em sua casa que cheirava a sarro e fumaça que poderiam ser de qualquer qualidade, e de bebida fermentada grudada pelo chão.

http://www.flickr.com/photos/42931449@N07/5241501166/

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

55 - ALEATÓRIAS HISTÓRIAS - NA MÁQUINA DE CAFÉ

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Cedo, muito cedo, acordara hoje. Talvez em razão de ter dormido 11 horas desde ontem porque estava cansado e sem fome, despertou tão logo os passarinhos começaram a piar como taquaras rachadas. O que fez foi dar atenção aos companheiros, brincar um pouco com eles, trocar a água, coisas que não se alongaram nem por meia hora.
Abre a janela e o dia inicia a se fazer com os inerentes barulhos e visões que o caracterizam tão comumente na cidade de São Paulo: gente indo, gente voltando, trabalho, diversão, pobre, rico e quaisquer outras características econômico-antropológicas.

"Aqui a gente nunca enjoa das pessoas e dos acontecimentos. Eu não enjoo porque a diversidade é tamanha que torna-se improvável que eu veja repetidamente pessoas que eu vejo dia após dia e que as coisas pareçam ser iguais. Mesmo para mim, que tenho aqui em minha cidadela invencível o que preciso, eu gosto de olhar e saber que moro em um dos lugares mais habitados e cosmopolitas do mundo. Uma cidade que é pertecente a este mundo, que não se volta a si mesma, que não se satisfaz, que quer mais... E que segue sem pensar muito. Ela vai, é isto".

Tudo isto pensando e fazendo o café que já se espraia pelo ar como palpável, diretamente parecido com os desenhos em que o cheiro de algo se faz enxergar. pegar. Nesta hora, Felino ronrona entre suas pernas balançando o rabo na ponta se esfregando nas canelas cabeludas desnudas; Rex, ao contrário, mastiga o "milésimo" osso de brinquedo comprado na loja do veterinário quase amigo. Ele o ensinara que latir pelas manhãs deve ser um ato comedido para manter a casa mais ou menos barulhenta. Pronto, o conselheiro-mor reclama miando, olhando profundamente para que lhe seja servida a ração de vísceras de peixe. O príncipe adora também, mesmo que inaproprida para seu estômago canino.
Agora o dia se compôs, nublado, é fato, mas já é claro como... O dia é. 

Logo ao chegar na editora, tratará da reunião antes do almoço com o veterinário com relação ao livro e a quase certa impressão. Será a primeira de uma longa série e a de hoje é importante para que se crie uma empatia - econômica e profissional - e que assim, possam desenvolver um trabalho no qual todos saiam ganhando.
Vestido quase como de costume, a não ser pela gravata violeta, em tom escuro como a noite, calçando os novos sapatos que ainda lhe apertam mais o pé direito que o esquerdo, sua indumentária de cor preta social cai muito bem em seu corpo. 
Por conta dos preparativos, antes das 9h sentado em sua sala, analisando os arquivos em data-show, queda-se absorto naquilo: o trabalho. E como Caxias que é, tudo pronto desde ontem, apenas fazendo uma revisão para não haver descuidos. Telefone ao lado, no silencioso, só chama sua atenção porque se acende quando uma mensagem é enviada. Do rapaz de sorriso metálico perguntando se queria tomar um café na padaria de sempre. Respondendo que não pode sair, ele liga.

--- Bom dia. Tudo bem com você?
--- Bom dia. Como você está? Rouco, ou impressão minha?
Do outro lado um riso como o de antes que ele via penas manhãs no meio da balbúrdia.
--- Estou sim. Uma dor de garganta que só hoje melhorou um pouco, estou de licença médica até segunda-feira. Estou aqui embaixo da editora, no saguão...
--- Não se identificou com a moça?
--- Vamos tomar um café? Na padaria? Se não estiver ocupado, o que é complicado porque é mais fácil falar com o Obama do que com você.
--- Melhor. Sobe aqui, tem um capuccino de máquina que você vai gostar.
--- Subir? Mas...
--- Claro. Venha. Já estou ligando para a recepcionista para ela lhe dar o crachá de visitante. Está com o RG aí né? Venha, porque não posso descer agora.

E ele sobe sendo recebido logo na saída do elevador no 11º andar naquele dia de mormaço matinal em São Paulo. Um abraço contido é o cumprimento entre ambos que logo entabulam uma conversa sobre trabalho, mudança de endereço, café e a laringite adquirida no fim de semana que passou.
O encontro de uns 40 mnutos voou que mais se parece com quatro minutos. Ele o observa indo embora encostado à máquina do café - tomaram dois cada um - se recordando de tê-lo visto como um legionário a caminhar com ele e com o outro por entre caminhos úmidos e frios da Escócia romana. "Esqueci de contar que sonhei com ele e com o veterinário três vezes, que eram soldados sob o meu comando e que andávamos sem parar. Da próxima vez eu não esqueço".


http://www.squidoo.com/gaggia-accademia-espresso-machine?utm_source=google&utm_medium=imgres&utm_campaign=framebuster

COMPARANDO VALORES

Comparando as regiões com maior participação no produto interno bruto (PIB) de alguns países selecionados, encontramos números que variam, e que, ao mesmo tempo, mostram a força das mesmas no peso da conta que mede toda a riqueza produzida em um ano. Estas regiões variam de nomenclatura administrativa e política conforme cada nação, que pode ser dividido em estados, províncias, regiões e comunidades.
No Brasil, o Estado de São Paulo detém a primazia na participação do bolo do PIB, de acordo com os últimos dados divulgados pelo IBGE em dezembro de 2011, com ano-base de 2009. São Paulo produz 33,48% do total.

Exemplos (valores em percentuais sobre o PIB de cada nação):


Califórnia
13,24
EUA 2011
Ilha de França
29,50
FRA 2009
Catalunha
18,63
ESP 2010
Ontário
37,70
CAN 2010
Dist. Federal
21,49
MÉX 2007
Tóquio
17,74
JAP 2007
São Paulo
33,48
BRA 2009
R. N. Vestfália
22,13
ALE 2010
Moscou
20,36
RUS 2008
Nova Gales Sul
31,81
ÁUS 2010
Lombardia
20,96
ITÁ 2007
Buenos Aires
33,47
ARG 2008

O mais rico estado dos Estados Unidos é o que apresenta o menor valor da lista elencada; vale ressaltar que o PIB da Califórnia é quase do mesmo tamanho do do Brasil. A Espanha, ainda que a Catalunha (agora com a sandice idiota da separação) alcance o primeiro lugar, a Comunidade Autônoma de Madri produz 17,92% do PIB do país ibérico: são os números mais próximos internos a um país encontrados na pesquisa. O valor de Buenos Aires se refere à província e ao Distrito Federal (21,6%) somados (dentre as 23 unidades administrativas)

Mesmo com o ano-base diferenciado em alguns deles, a história e a estatística mostram que em um curto prazo de três ou quatro anos os valores não mudam abruptamente e a tendência é de leves alta ou queda, ou ainda a manutenção no mesmo patamar.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

VIAGEM LXXXI - CAMBAGEM

Reprodução, cambagem [sítio abaixo]

Vem cambaleante com a cambagem do velho Escort 96
desregulada dos anos descuidados,
inquietante!
Como é dele faz e, de repente - assim! - das mãos sacadas instantes longe do
volante,
bate palmas, uma, duas, três, mãos de volta à direção. Olha o 
semblante 
no retrovisor que já andou pelas estradas porque todas iguais as de Santos.

Canta e grita esganiçadamente, inflando as veias da garganta, como 
anabolizante.
Pela ruas que formam a grande praça abandonada 
derrapante,
Estaciona em um dos pontos do 
sextante de grama verde,
e cai no chão pelo tropeço na pedra
que sangra o pé desnudo.

Uma vitória! Vai tirar a dor que deveras sente, para 
sangrar em volta do carro, pulando feito saci,
Doente como um
protestante contra as reformas que versam em nada.
Chão molhado, e nada rogado, feito 
rolante
mascando a última bala vermelha de morango para lá e para cá na boca.
E deita, e roda e deita e roda.

E molha o suor com a grama molhada.
Faróis acesos, portas abertas, o som ligado
protuberante
na noite afastada do rumor do centro da cidade.
Ele faz o que quer agora, porque nunca fez deste jeito.
Mutante
daqui mesmo sem viagens intergalácticas,
na cabeça erguida centímetros do solo olhando para o azul-negro,

o maior, o dominante
que vem lá de cima.
E porque tantas atitudes
rastejantes
se para chegar até ao carro só mesmo um andante
normalizante, em pé?
Longe, do outro lado, oposto, a antítese.
Antagônico.

Nada normal com a música do RC em último volume
quase no meio do nada que se traduz no fim 
da cidade, daquele menor aglomerado, de gente
errante, dissonante.
Em um grito de arrepiar, acordando o vento, estourando tímpanos,
volta a dirigir cambaleante,
nada hesitante.
Nada que o faça sangrar mais que o dedão do pé com a unha descolada.

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