quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

AINDA SOBRE O PIB

Apresento os maiores 10 municípios aqui por setores da economia que compõem o produto interno bruto, para o ano de 2010. Há um total predomínio das capitais estaduais em serviços (08/10) e impostos (07/10); no setor indústria é menos acentuado (04/10) e inexistente em agropecuária.
Medidos em bilhões de reais.
10 maiores em PIB - 
Indústria

1
São Paulo
74.122.188,62
SP
2
Rio de Janeiro
22.461.765,29
RJ
3
Manaus
20.094.044,01
AM
4
Campos
18.119.034,71
RJ
5
Parauapebas
13.744.280,97
PA
6
São Bernardo do Campo
12.997.216,99
SP
7
Betim
12.796.715,65
MG
8
São José dos Campos
10.652.607,59
SP
9
Guarulhos
9.830.841,61
SP
10
Brasília
8.720.979,86
DF
SP - 04/10
Setor que São Paulo vai melhor colocado. Manaus é o principal destaque. Parauapebas por extração de minério é a grande surpresa. Destaques para Campos, > volume de todo o interior do Brasil, São Bernardo do Campo, São José dos Campos e Betim.
Razão do primeiro para o segundo:
3,30x >.

Serviços
1
São Paulo
289.957.523,04
SP
2
Rio de Janeiro
125.204.629,01
RJ
3
Brasília
124.179.104,52
DF
4
Belo Horizonte
35.832.196,39
MG
5
Curitiba
34.424.236,61
PR
6
Porto Alegre
30.311.930,95
RS
7
Osasco
26.067.653,03
SP
8
Salvador
25.247.079,16
BA
9
Fortaleza
25.126.637,81
CE
10
Guarulhos
20.827.394,86
SP
SP 03/10
Destaque para Brasília que quase ultrapassa o Rio de Janeiro pela primeira vez. Único setor que Belo Horizonte passa Curitiba; menção a Porto Alegre e também a Salvador e Fortaleza, únicos municípios do NE a constarem entre os 10 maiores; apenas Osasco e Guarulhos não são capitais.
2,32x >.

Impostos
1
São Paulo
79.501.265,23
SP
2
Rio de Janeiro
42.523.611,58
RJ
3
Brasília
16.671.304,21
DF
4
Santos
15.965.370,42
SP
5
Curitiba
10.288.586,04
PR
6
Manaus
9.407.001,80
AM
7
Campinas
9.016.940,78
SP
8
Belo Horizonte
8.371.100,80
MG
9
Vitória
7.722.500,29
ES
10
Osasco
7.300.471,45
SP
SP 04/10
Dos três até agora, é o único o total de São Paulo não é mais que o dobro do Rio de Janeiro, ainda assim a capital bandeirante tem larga vantagem. Destaque para Santos, encostado em Brasília; vale menção a Campinas e Vitória (única indicação).
1,87x >.

Agropecuária (R$ milhões)
1
Cristalina
624.131,87
GO
2
Petrolina
620.358,91
PE
3
São Desidério
559.611,37
BA
4
Uberaba
551.237,10
MG
5
Rio Verde
547.021,95
GO
6
Jataí
537.015,12
GO
7
Itapetininga
466.353,39
SP
8
Campo Verde
466.311,37
MT
9
Chapadão do Céu
443.735,89
GO
10
Ipameri
419.444,27
GO
SP 01/10
Destaques para o Estado de Goiás, com 5/10. Na última tabela, diferenciada das demais, nota-se que o Estado de São Paulo emplaca apenas um município - Itapetininga, sudoeste, 180 km da capital; mesorregião que leva o nome, principal do Estado no setor.

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pibmunicipios/2010/default_pdf.shtm

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

60 - ALEATÓRIAS HISTÓRIAS - VOLTA À ERA DO GELO

Reprodução [sítio abaixo]
Deitado no sofá da sala como um pachá otomano dos tempos (meio) modernos, zapeia pela TV de "N" canais e tudo o que há pelo sábado à noite de intensa chuva, mesmo que o sinal da operadora de TV a cabo caia seguidamente. Aí, ele se concentra em seus dois companheiros até o tal sinal dar as graças. O conselheiro-mor e o príncipe herdeiro o acompanham e deitam-se no carpete logo abaixo. 
Quando acontece desta forma, ele tem a impressão que sua sala torna-se ainda maior com a grande janela aberta sentindo a brisa quase fria que a chuva traz. Parece que o silêncio da TV faz tudo aumentar de tamanho.
Muitas séries com episódios repetidos, filmes antigos e os esportes brucutus de sangue de sempre, a nova onda que assola o público neandertal daqui e de outros cantos. Intui que o $ mesmo é que manda e que as pessoas fazem tudo por ele.

"Que esporte é este? Para ganhar, você tem que bater, nocautear, tirar sangue? Então, eles gostam mesmo de bater, de apanhar? Fazer o adversário "dormir" em pleno tatame, ou ser posto para dormir? Estes caras não podem, nem devem, ser normais porque para gostar de receber pancada no corpo e na cabeça, uma atrás da outa... Eles são de outro lugar. Sei lá qual, mas nãoque pertencem a este mundo é certo como eu estou aqui vendo o que presta pela TV. E as orelhas? Parecem de algum planeta de fora da galáxia, aqueles a bilhões de anos-luz desta que habitamos".

A chuva intensa se intensifica com voracidade soando como o fim do mundo tão apregoado nestes fins de 2012. Absorto que está, fixa-se em um programa sobre animais da Era do Gelo, a megafauna americana das pradarias estadunidenses e canadenses. Aborda sobre uma luta hipotética para os dias de hoje, mas possível àquela época, que ocorrera cerca de 12 mil anos atrás entre um urso de cara achatada, o maior que já existiu entre a família, com quase 1 tonelada de peso total, e o leão americano, o maior também dos felino, cerca de 20% > que os atuais, ou seja, cerca de 300-350 quilos. 
Adormece no fim da batalha, porque ele mesmo, até então, travara uma luta contra o sono e o barulho de chuva que insistia em ser um calmante.

"Anda vagarosamente por entre a antiga estrada romana que leva ao mar pela direita e ao seu castelo de pedra à esquerda. Acompanhado de seus dois companheiros e destemidos soldados, ele não entendeu ainda porque ele deve merecer tanta proteção de ambos.  São uma sombra que se projeta em dois lados, ou acima e abaixo...
Caminhando ao lado, formando uma tríade que ele percebera ser inseparável, o metálico soldado, sempre mais despachado e mais falante logo pergunta antes de a bifurcação na estrada aparecer logo após a curva acentuada.
--- Estamos quase chegando. Quer ver o mar antes de tudo ou ir direto para o castelo? Temos algum tempo antes do sol se pôr e o frio vir com força. O que prefere? 
--- Eu não sei... Tenho vontade de ir para casa direto, como sempre faço neste horário junto de vocês, meus guardiães 24h. Está ficando cada vez mais frio, com esta névoa que mal a gente consegue enxergar.
--- Estamos aqui, somos seus olhos também.
Caminham em direção ao castelo com o frio cortando e cada passo seus pés vestidos com sapatos sem meia esfriavam em contacto com o chão gelado.
'Quero ter mais pelos pelo corpo todo, desejo ter um casaco peludo, felpudo e grosso para me proteger deste frio que não me agrada em nada. Se eu fosse como os homens da Idade do Gelo, teria mais proteção contra este tempo'.
O castelo é avistado e eles caminham lado a lado formando uma barreira de três à qual nada, nem ninguém poderá se sobrepor. Apesar de quase congelar-se, ele sente a proteção de um para todos e de todos para ele.


Na madrugada todo torcido, com um pé de meia calçado apenas, ele se levanta e vai direto para o quarto. Seus amigos peludos já estão no tapete felpudo. A chuva continua e o festival de trovões e relâmpagos se propagam por São Paulo.

http://www.sidereel.com/Jurassic_Fight_Club/season-1/episode-9

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

VIAGEM XCV - DEPOIMENTO

Reprodução [sítio abaixo]
Depois que teve a primeira experiência com a câmera, montada em um tripé, a meia altura, distância de uns 3 metros mais ou menos, gravação com duração de 15 minutos... Ele tomou gosto pela coisa. Via como uma forma de perpetuar por um tempo o que ele realizava - uma decisão intramuros - para que, a posteriori, alguém, talvez, pudesse assistir e tomar conhecimento de tudo. Este tempo de perpetuação poderia ser muito e poderia ser pouco. Não havia descendentes nem ascendentes, cônjuge de qual esatado civil fosse, tampouco parentes próximos, apenas uns primos de X° grau que moravam em algum lugar da Zona Sul, pelos lados do Borba Gato. Nem se lembrara quando os vira pela última vez.

Como choveu intensamente todos os dias aquelas noites de primavera de forno em São Paulo, ele resolvera ficar em casa... na garagem, mais propriamente dizendo, que, então, havia sido transformado em um pequeno estúdio de gravações. Não que qualquer chuva impedisse de sair em seu semi-novo saedã de velho recendendo a chocolate derretido, apenas quis tratar do assunto frente à câmera com mais rigor para que quando revisse, gostasse. E sim, houve o fator "precipitação pluviométrica" exagerada como há muito não se registrara desde Y anos. Quanto à sessão de antes, ele ainda não havia visto, aquele no qual expressara os enjoos, nauseado que permanecera com tanta desdita.

Com uma pequena janela aberta, a garagem bem ao fundo de seu quintal, a chuva podia se fazer ouvir; luzes todas acesar em um banquinho de girar de metal postado colado à parede de fundo azul-claro. Mudara várias vezes o cenário porque a garagem continha estantes repletas de coisas velhas e de coisas novas também: objetos que eram transferidos da casa para lá, ferramentas, malas, peças pequenas de motor, galões de combustível, botijão e um estoque guardade no frigobar cheio de bebida gelada e, evidente, cheio de chocolate. Um pouco de tudo e mais ainda havia por lá no espaço em que caberiam dois carros com certa folga. 

"Esta aparição pode ser um depoimento, a forma de um. Se é assim, vamos lá... O que pensam sobre? Porque aqui e não dentro de casa. Hum, boa pergunta... Guardo somente o semi-novo aqui. E algumas outras coisas... Armas? Será que existem armas por aqui. Não saberia precisar se ferramentas são armas letais. Estão aí, muitas delas empoeiradas sem serventia já há algum tempo. A bicicleta magrela dos anos 90 do jeito que eu a pendurei faz uns anos, ficou, inerte. Porque?"

Parara de se locomover pela grande cidade com a bicicleta depois do susto e do repentino atropelamento que sofreu ali nas imediações da avenida Jabaquara, mesmo ele estando na faixa da direita, com sinalizador e roupa laranja no lusco-fusco de outono. Não adiantou de nada. Um motoqueiro, assaltante - soube depois -, fugindo da polícia o derrubou metros a frente. Teve ferimentos leves pelo tombo que sofreu, mas o susto...

"Dirigir daquela forma é que é uma porra de uma arma. Eu? Eu não... Dirijo com vagar, respeitando todos os limites de velocidade. Disto ninguém pode me acusar! Disto somente, mas também do que poderiam me acusar, eles não sabem de absolutamente nada, um grande vazio deve percorrer a mentes dos imbecis. eu sou grande mesmo. Repito faixas, dou seta toda vez, não fecho ninguém, nunca paro em cima da faixa para pedestre. sou um dos poucos, é fato. então, é mais um motivo para eu corrigir os desavisados. Como corrigir?"

Durante as suas andanças pela São Paulo que ele vira se transformar em uma das cidades-alfa do 3º milênio, ele impunha sua vontade férrea de tentar minorar os efeitos de alguns sobre muitos... E vez por outra, de muitos sobre alguns. Sobrara pouco para ele e arcar com todo o peso do seu trabalho o ajudava a seguir em frente.

"Olha, existem muitas formas de corrigir. Diferenciam-se pelo que os alvos estão tramando... Fazendo. Tramar é mais intrigante, mais intempestivo e são poucos os alvos que se enquadram na categoria. O que posso confessar, aqui, em minha garagem enfumaçada, nesta noite de chuva, é que há forma indolor e rápida, sem explicações. Outras, e destas eu gosto mais, são bem doloridas e um tantinho vagarosas. Exemplo? Ah, ok. A última tarefa eu escolhi um casal e eu fiz eles saberem por segundos o porquê de tanta dor. Que jeito exatemente? Ei, calma! Vou relatar tudo, desde quando amordacei e comecei...".

A energia elétrica foi-se e demorou a madrugada toda para voltar. Ele se recostou confortavelmente no banco deitado do automóvel, cigarro entre os dedos (que os queimara, mas sem acordá-lo de vez) e dormir no escuro da garagem. Tranquilo como o justo que acreditava piamente ser. 

http://www.alzodigital.com/online_store/camera_tripod_ball_head.htm

30 MAIORES PIBs MUNICIPAIS - IBGE 2010

Dando seguimento à postagem anterior mantendo-se, portanto, no mesmo segmento, apresento os  30 maiores PIBs  das cidades, com relação ao ano de 2010. O IBGE divulgou os valores dos PIBs municipais dos 5.565 municípios brasileiros + Brasília (DF) com os valores registrados para o ano de 2010. Sem novidades no topo da lista.

São Paulo, a real capital brasileira sócio-econômica e cultural - em que pesem alguns detratores do barquinho que vai e do barquinho que vem - produziu 11,8% do total do PIB do Brasil para o ano em questão. A seguir, vem o Rio de Janeiro com menos da metade, cerca de 5%. Brasília é um caso à parte, com 4%. Lembrando que o total para o país atingiu R$ 3,77 trilhões.

1
São Paulo 443.600.101,65
SP
2
Rio de Janeiro 190.249.042,86
RJ
3
Brasília 149.906.318,88
DF
4
Curitiba 53.106.496,77
PR
5
Belo Horizonte 51.661.760,19
MG
6
Manaus 48.598.153,16
AM
7
Porto Alegre 43.038.100,20
RS
8
Guarulhos 37.139.403,99
SP
9
Fortaleza 37.106.309,48
CE
10
Salvador 36.744.670,49
BA
11
Campinas 36.688.628,77
SP
12
Osasco 36.389.079,62
SP
13
São Bernardo do Campo 35.578.585,82
SP
14
Recife 30.032.003,26
PE
15
Betim 28.297.360,02
MG
16
Barueri 27.752.428,25
SP
17
Santos 27.616.034,70
SP
18
Duque de Caxias 26.496.845,30
RJ
19
Campos dos Goytacazes 25.313.179,34
RJ
20
Vitória 24.969.295,11
ES
21
Goiânia 24.445.743,96
GO
22
São José dos Campos 24.117.144,92
SP
23
Jundiaí 20.124.599,88
SP
24
Contagem 18.539.693,13
MG
25
Joinville 18.473.989,58
SC
26
Uberlândia 18.286.903,94
MG
27
Belém 17.987.323,05
PA
28
São Luís 17.915.048,34
MA
29
Santo André 17.258.468,05
SP
30
Ribeirão Preto 17.004.019,39
SP

Vale reiterar que dos 30 listados, 11 ficam no Estado de São Paulo, ratificando a superioridade econômica não apenas da capital, mas sim de todo o território bandeirante; Minas Gerais emplaca quatro e o Rio de Janeiro (2º maior PIB estadual) apenas três. Nota-se também que as sete primeiras posições são capitais estaduais com Guarulhos, 8º, quebrando a sequência. Nenhum outro Estado, além da capital, apresenta municípios no rol, com exceção de Santa Catarina, onde Joinville é o destaque (Florianópolis, a capital, está em um distante 56º).

Acesso ao link na página do IBGE, sempre muito confusa para leigos e não leigos: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pibmunicipios/2010/default.shtm

30 MAIORES PIBs MUNICIPAIS, SP - IBGE 2010

O IBGE em seu sítio para lá de confuso e anti-estético divulgou os valores da riqueza produzida em todas as UFs e também para os municípios. Listo aqui os 30 municípios do Estado de São Paulo que registraram os maiores PIBs no exercício fiscal-econômico de 2010. Lembrando que os 645 municípios que compõem o Estado detém 33,1% da riqueza total produzida no Brasil (R$ 3,77 trilhões)

A capital bandeirante apresenta queda suave ano após ano, o que significa uma desconcentração de tendência das atividades econômicas em São Paulo: atingindo 35,6% do PIB de R$ 1,247 trilhão. 
Ressaltando que os valores estão expressos em milhões de reais na lista abaixo e que, portanto, devem ser multiplicados por 1000. Exemplo: o PIB de Piracicaba é de R$ 10.931.268.210 (bilhões).

1
São Paulo
443.600.101,65
2
Guarulhos
37.139.403,99
3
Campinas
36.688.628,77
4
Osasco
36.389.079,62
5
São Bernardo do Campo
35.578.585,82
6
Barueri
27.752.428,25
7
Santos
27.616.034,70
8
São José dos Campos
24.117.144,92
9
Jundiaí
20.124.599,88
10
Santo André
17.258.468,05
11
Ribeirão Preto
17.004.019,39
12
Sorocaba
16.127.235,90
13
Diadema
11.254.522,71
14
São Caetano do Sul
11.009.306,05
15
Piracicaba
10.931.268,21
16
Taubaté
9.778.529,41
17
São José do Rio Preto
8.981.998,59
18
Louveira
8.914.890,86
19
Mogi das Cruzes
8.810.329,13
20
Paulínia
8.114.786,99
21
Sumaré
7.848.043,72
22
Bauru
7.423.744,31
23
Mauá
7.352.092,68
24
Vinhedo
6.715.430,97
25
Limeira
6.712.375,34
26
Americana
6.659.418,05
27
Hortolândia
6.226.403,78
28
Cotia
6.212.596,70
29
Cubatão
6.199.085,89
30
Matão
5.860.252,00


O link pode ser acessado na página - confusa - do IBGE, na barra "economia", ou aqui: ftp://ftp.ibge.gov.br/Pib_Municipios/2010/pibmunic2010.pdf

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

59 - ALEATÓRIAS HISTÓRIAS - FOSSO AO REDOR

Reprodução [sítio abaixo]
Dormiu mal e hoje pela manhã acordou cansado com a sensação de haver tomado uma "coça", igual àquelas de quando criança recebia por birras e promover guerra entre primos e irmãos. Nestes tempos, não há mais guerras deste iguais, só as que ele trava consigo mesmo, que são fazem as do passado parecerem manteiga derretida.
E hoje, agora, está travando uma contra o incomensurável sono porque sua cama parece que resolveu ficar aconchegante exatamente agora, de manhãzinha, querendo-o impedir de se levantar para ir trabalhar. Relógio desperta 6h50 só para constar porque ele desperta quase sempre antes. E hije não foi diferente.

Ambos convivas do castelo invencível - aquele que é uma fortaleza inexpugnável - já estão acordadíssimos demandando atenção e carinho: Rex, o príncipe herdeiro, esbaforido, energizado, corre de um lado para o outro; Felino, o conselheiro-mor, em seu peino aninha-se miando baixinho olhando para ele como que dizendo: "Ei, estou aqui. Vamos acordar? Quero que você se levante". Rex, com seus latidos: "Vamos passear? Vamos brincar? Estou super animado", e arfava com a língua pendurada indo e voltando.
Pela manhã, normalmente, sai com o cachorro para ele fazer suas necessidades pelo bairro ali mesmo. Existe uma praça em construção, pronta praticamente, em que ele gosta de passear e cheirar tudo o que lhe é de direito. E ele tem certo que ele pode cheirar tudo mesmo, porque o que tem ali é para ele meter o nariz gelado e úmido.
Enquanto decide se fica mais um pouco na cama, vê pela fresta da janela de correr nahorizointal que o dia vai ser quente com sol espalhando calor e distribuindo cores. Tenta se lembrar do sonho com precisão, com afinco e tudo o que consegue é u grande vazio na cabeça. Esforça-se aproveitando o pequeno intervalo que os bichos lhe dão agora e queda-se quieto para relembrar. Alguns imagens quebradas.

"Olhando para baixo, o castelo agora parece mais alto do que sempre foi. As paredes do lado de fora, com limbo verde se espraiando, lembra-o que ali fora construído, com mais de mil anos de idade, para proteção contra os inimigos. As pedras retangulares em suas junções pareciam um tapete verde. Embaixo o fosso de água turva e marrom provoca-lhe um efeito de maior proteção. 'Pela água, ninguém vai vir'. Andando pelo castelo, mudando seu ângulo de visão, ele avista os dois sentinelas que sempre o acompanham e que são parecidos - se de fato não os próprios - com o veterinário dos bichos e o cara do sorriso metálico.
O primeiro faz um sinal para ele descer porque quer lhe falar. Ele desce a escada em caracol  vários lances até chegar ao térreo meio tonto.

--- Bom dia. Pode falar?
--- Hoje sei que teremos uma grande invasão vinda por todos os lados. Mas o que me preocupa é a invasão aqui mesmo pela frente. Eu e ele daremos conta, mas você não pode ser visto em nenhuma janela porque somente sua silhueta pode dar a eles - nossos inimigos - uma força que eles sequer imaginam possuir. Peço com todo o respeito que lhe devo, porque é meu senhor e porque devo protegê-lo, que fique em seu quarto com a janela fechada e em silêncio. Fazendo isto, a batalha será curta e bato no meio do peito e reverencio o senhor que ela será vencida por nós. Temos uma inspiração: o senhor e melhor que esta não há. Quero que saiba que eu e meu companheiro de armas e posição estamos seguros de nossa vitória e que o senhor temer não deve. Aprendemos tudo à risca depois de tanto treinamento e dedicação. Ouça, parece que eles ja vem chegando ao longe; um rumor de gritos de guerra vem se fazendo ecoar por estas nossas bandas. Perdão, por suas bandas porque tudo aqui é do senhor. Repito: estamos aqui tão-somente para manter este status e lhe trazer o máximo de conforto.

Ele sobe e aguarda o desfecho escutando tudo de orelha em pé, porém quieto e imóvel. Sendo um chefe, o manda-chuva, o rei, o dono, é bom de quando em vez, atender uma solicitação de defesa de um imediato seu, ainda mais aquele imediato que lhe devota a mais do que tudo. Sente uma mansidão aconchegante que ao fim da contenda, ele se deita e dorme o sono que fazia tempo não possuía.


Quando desperta de novo deste pequeno interregno de sono com o Rex e Felino deitados no tapete felpudo, ele vê com clareza o dia e o fato que deverá fazer com muita atenção seu trabalho. Há que se proteger do dia a dia da segunda-feira que, ao contrário das anteriores, terá um fim digno e tranquilo.

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sábado, 8 de dezembro de 2012

VIAGEM XCIV - ENJOO NA FRENTE DA CÂMERA

Reprodução [sítio abaixo]
E se um dia lhe perguntassem o porquê de fazer o que faz, de realizar seu trabalho como Caxias, de nunca perder a mão, de sempre estar disposto e nunca, mas nunca, lhe faltar energia para executá-lo todo o dia e até aquele dia que ele deve ir desta para uma muito melhor.. Com a mansidão que lhe é bem própria, ele responderia rápido com poucas palavras, das milhares que conhece.

"Eu tenho enjoo", é a frase.
"Porque? Quer saber mesmo? Porque são tantos os motivos que dão enjoo e só um me bastaria para fazer tudo aquilo que eu faço e faço com muito afinco".

Pensando por alguns segundos, ele então, em frente à verdadeira câmera digital de posterior geração, acenderia um cigarro, um pigarro indefectível e desfiaria todo o seu enjoo para ser gravado.

"Eu tenho enjoo dos homens, das mulheres, das crianças, dos jovens, dos adultos e dos velhos... Bem, confesso, é mesmo um enjoo da humanidade como um todo mesmo. Você ainda que saber o porquê? Bem, de uma coisa só eu me arrependo: de não ter nascido antes e de morrer antes do que é necessário para fazer uma limpa neste planeta. Se eu vivesse mais, ou ainda, se eu não morresse... Também me arrependo de morrer quando acontecer. Não é medo, nem vaidade de estar vivo, menos ainda de querer ser um morto-vivo, um vampiro o cacete a 4. 'Filminho' para adolescentes chatas e que gritam. Porque sei que vou morrer antes de realizar nem um décimo. Sabe... Às vezes eu penso que deveria ter uma ajuda, formar uma equipe 'dinâmica', agir em dupla ou em trio. Alcançaria mais resultados, verdade; mas analisando por um outro viés, acho que enjoaria também. Cansar-me-ia de ter que fazer reuniões, estabelecer áreas, modos e mais o cacete a 4. Também enjoaria, é certo".

Um bom gole do velho conhaque que ganhou como herança de seus trabalhos, quando escolheu um destes figurões que fazem milhões de dólares da noite para o dia. Claro que a garrafa veio antes do tal figurão processar em seu cérebro estatístico o que iria lhe acontecer. Verdade que ele nem soube. O conhaque espanhol minguava à metade.

"Eu não bebo não. Antes de sair para fazer o que faço: de jeito nenhum; depois é depois... Agora, esta porra de bastonete de nicotina acompanha-me sempre. Sim, vamos voltar ao enjoo. Acabei me desviando do assunto e você quer muito saber, não é câmera? Quando eu leio jornais e todas as mídias, quando eu vejo TV eu enjoo, quando eu saio à rua, já saio com um remédio para o fígado, para ele se aquietar. Sim, é um enjoo do que eu vejo e do que ouço. Algumas vezes - e aí dedico redobrada atenção - tenho também enjoo quando um dos homo sapiens sapiens me toca ou esbarra, voluntária ou involuntariamente. Para estes eu hei com presteza cirúrgica".

Sinal vermelho de que a câmera estava nos estertores de sua bateria, a única no momento porque não se lembrara de recarregar a outra. Deveria ser conciso sem faltar nenhum argumento para satisfazer a curiosidade de um personagem que não era ele.

"Eu tenho enjoo, eu quase vomito, pelos seres que infelizmente povoam esta porra de planeta: os ricos, os pobres, os pequeno-burgueses - esta é marxista hein câmera -, dos mestiços que se reproduzem... Aliás, como colocam filhos neste lugar né? Tenho enjoo dos homens de todas as cores e do resultados de suas cruzas. Dos bandidos que se julgam acima do mal, daqueles da periferia que odeiam a riqueza, mas que queriam muito ser ricos e destes, com a empáfia bem característica dos endinheirados, eu me nauseio com frequência. Quando termino com deles, vomito na cara. Da ditadura da estética fútil e o $ gasto, da feiura que assusta... Opa, quase arriando a bateria. Depois continuo então Apesar que me fiz entender".


Depois da gravação, ele foi tomar um banho porque o calor na antropofágica São Paulo amolecia qualquer miolo decente o mínimo que fosse. E anuiu que fazer história passava longe do que ele realizava e, que seu intento e seu decorrente trabalho, ao contrário, acabaria com a história de muitos daqueles que lhe provocavam enjoo. 

 http://blog.healthtap.com/topic_f.html

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

VIAGEM XCIII - PAPEL DE EXTRATO

Em um grande banco, todo estatal com a febre inerente dos estatizantes cabides de emprego, ele, em rara vez que se predipôs a pegar uma fila, destacou a senha, foi até a fileira de cadeiras unidas e, em um descuido, derrubou o cesto de lixo para papel. Catou todos e ficou a observar tudo. Virando os olhos para baixo, viu esquecido um, todo amassado que parecia um destes de extrato bancário (claro, estava em um banco), pegou-o para jogar no lixo. Sem saber o porquê, desamassou descobrindo um saldo gordo, mais de R$ 30 mil; o que causara perplexidade, porém, foi uma longa escrita em todo o corpo estreito da tira com tinta de banco, no verso com esferográfica azul. Letra de mão legível e "caída" à direita (parecia de homem). No começo escrito assim, com estrofes (talvez fossem isto) enumeradas tendo início pelo 5:

 5
"O que você fez de sua vida?
Demorando para responder...
Responda.
Você perdeu tempo, não é?
Pelo visto foi.
Agora tome e chore e morra".

6
"Você está se repetindo, não vai dar.
Existe mudança fazendo assim?
Viu que tudo agora é  perda de tempo?
E o seu tempo está se findando.
Quem mandou? Você quis.
Agora, tome e chore e morra

7
"Esqueceu ou não estava nem aí?
Ah, está dizendo que não sabia.
A-hã, não sabia? Mentira, sempre foi inteligente.
Todo os anos se foram em um piscar, não é?
Está velho sim para recomeçar!
Agora tome e chore e morra"

Pôs-se a pensar absorto onde estariam os números 1, 2, 3 e 4 daquelas estrofes porque queria ler todas elas. Se é que eram mesmo uma poesia.... E poderia haver mais, 6, 7, 8 e até haver um caderno de poesias com Oswald¹ escreveu... Mas para saber o que foi feito deste ser que a escreveu, o que fazer? 
"Uma poesia dentro de um banco. Que combinação nada usual!".

¹ Oswald de Andrade, escritor modernista paulista da Geração de 1922

http://br.freepik.com/fotos-gratis/cesta-de-papel-amassado-lixo-com-fundo-branco_498778.htm

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

VIAGEM XCII - ACADEMIAS DE FORÇA E DE INTELIGÊNCIA

Reprodução [sítio abaixo]
São Paulo cozinhava àquele dezembro de primavera: 33°C. Corpos à mostra: pernas, braços, peitos, ombros e barrigas e umbigos com piercings - ou como preferem alguns pré-históricos brucutus: abdômens. Tinha também mais cor mesmo com a roupa pouca. Ele pensa que os índios fizeram mesmo escola aqui nos trópicos, o que deve ter encantado os brancos portugueses, ainda que, de primeira vista, condenassem a nudez dos "aborígines" porque mostravam as partes ao léu, como nasceram (como nascemos), ficaram maravilhados e excitados com a "irreverência" do vestuário dos tupi-guaranis; certo que eles deram o troco como na ocasião  na qual o bispo e companheiros de navio naufragaram e foram devorados. "Devem ter tirado a roupa dos colonizadores para bem temperar".
Já nos primeiros raios do grande astro que comanda esta galáxia, percebeu que o dia seria quente porque nem a brisa de verão de manhãzinha fizera-se presente. Nada, só mesmo o sol incidindo, brilhando e vertendo suor pelos poros dos quase desnudos e dos vestidos.

Para ele, esta época - que lhe aprazia sobremaneira - traduzia-se em um trabalho de achar mais fácil, um trabalho de executar mais fácil e um trabalho de escolher... Mais difícil. Porque?
Porque os homens e mulheres se exibiam para quem quisesse ver, e eram visto, por certo! Desejados e invejados (para estes últimos, "calma... A vez de vocês vai chegar", pensava).
O que versava ser a prepotência de músculos e curvas de Sílfide. Lascivos, sexuais, e alguns, prepotentes em usarem toda a força física que desenvolveram. 

"Prepotentes da academia de musculação são exatamente iguaizinhos aos prepotentes da academia das universidades. Rá... Os acadêmicos da intelectualidade e os da força. Eles são todos farinha carunchada do mesmo saco. Hoje, como está um calor propício, bom passear pela universidade no Butantã a catar alguns destes que combinam à perfeição as duas academias; eles nem imaginam, porque parecem ser excludentes: se escolhe uma academia, não se escolha a outra. Não! Longe disto. Eu escolho as duas, sem pestanejar, pego todos das duas. É até mais divertido. É mais prodicente porque nos livra de duas espécies carcomidas que habitam a mesma matéria, tão soberba de si".

Trabalharia à tarde fazendo a arrecadação de seus fundos de investimento e cobrando - gentilmente, é verdade - os aluguéis atrasados de sua herança. Antes do almoço dedicar-se-ia ao que deveria ser executado, para o qual ele foi bem talhado: melhorar o mundo quase impossível de ser melhorado. Perdido o planeta não fica: devem existir outros como ele em algum outro país, cidade ou algo assim.
Passeando pelas cercanias do Ibirapuera pôs-se a pensar. Seguia então para a cidade universitária matutando sobre o assunto.
  
"Existem outros iguais? Será que com o mesmo propósito? Pode ser, porque eu não posso estar em vários lugares ao mesmo tempo.Um que eu seja rápido (e ele era) e objetivo como eu? Porque lutar junto fica mais viável. Então, espero e torço para que haja um outro. Pelo menos mais um, já seria um alento e tanto. 

Chegando lá, bastaram algumas voltas e um sorvete de chocolate para ele ver que havia muita gente da intelectualidade e da força por lá. Os vários prédios propiciavam alternativas a ele que o próprio surpreendera-se como não tinha pensado ir antes lá. o que havia em um, não havia em outro; pesquisou por mais uma hora e esolheu uma das instituições que continha ambas espécies. Um tesouro sem fim de alvos a serem escolhidos e para se despedirem. Até a hora do almoço, a cidade ficaria melhor para ser habitada.

http://mulherelastica.blogspot.com.br/2009/11/derretendo.html