segunda-feira, 26 de novembro de 2012

VIAGEM XC - NEM CARTILHA, NEM SUAVE

Reprodução "suave" [sítio abaixo]
retorcido, tramado, tecido em tópicos escritos por mãos sujas
de unhas carcomidas até a pele.
tomava como exemplo um exemplo que nem era devido: o pior que havia
(bem próximo, bruto, brasa dormida pronta a incendiar-se)
segue retorcendo tudo o que via pela vida
pelo gosto de fazer tudo mais difícil,
já que de facilidades ele não sabe

nunca soube e não quererá saber... Diz que é tarde para tanto;
"porque se não me entregaram a cartilha, porque devo facilitar?";
agia assim mesmo para verem as dificuldades que lhe foram impostas
e tomou gosto por elas "assim faço jus à 'maravilha' que escolheram a mim";
não se lamentava não, pelo contrário, apreciava
o que os outros viam como injustiça, ele via como normal,
o que viam como morbidez, via como quase prazer;

teve sua queda, seu choro e sua vela e cessou de tentar
desatar nós e construir para ser destruído;
agora, na verdade de um bom tempo pra cá, ele vê uma corda
destas que a vida bem apresenta toda satisfeita,
ele corre para retorcê-la o máximo que puder
à perfeição que só ele mesmo pode conseguir;
joga o mesmo jogo determinado pelos detentores da distribuição

das cartilhas que ensinam sobre a vida, sobre amores, afetos, pessoas... 
o que poderia ser um problema: então todos os recebedores
aprendem estudando o ABC completo?
"até parece! a cartilha ensina, quem recebe tem que aprender"
(nem sempre aprende-se, o que o iguala a estes)
Ele não vai aprender nada, nem ensinar nada;
Ele ficou de fora da lista dos que receberam a cartilha.

http://anos80incriveis.blogspot.com.br/2010/11/cartilha-caminho-suave.html

sábado, 24 de novembro de 2012

VIAGEM LXXXIX - ARRUMANDO UM JEITO DE VIVER

Reprodução [sítio abaixo]
Bate e bate até os punhos ficarem inchados, porque logo mais ficarão roxos, depois marrons e depois amarelos em tons que vão do desmaiado ao morto. Porque veio a dúvida de usar, de não usar, de ameaçar ou não.
Naquele "campo de concentração" no qual o vivente sobrevivia, as câmaras de gás são mamão com açúcar perto de tudo que passara até aqui, mas como tudo muda (é o que dizem por aí...), é passageiro, fica para trás, inicia-se novo ciclo.... O dele iniciou-se depois daquela cartada final em que a chantagem foi chamada de sobrevivência pura, sem mais, sem menos... Nem choro, nem vela.
E nem poderia ser de outro jeito.

Viu, ouviu e escreveu e gravou pelo telefone de parafernália moderna, como os valentes chineses que querem dominar o mundo e ficar tudo só para eles. 
Veio então, após negociação demorada e rude - com socos e punhos e chutes e agarra-agarra -, o acordo para que no fim tudo ser selado, no chão como os jiujiteiros violentos sem orelhas fazem, com um beijo breve, molhado e forte.
Ganhou seu ganha-pão a partir deste dia para ficar tranquilo com aqueles que lhe importam; para voltar àquele que realmente faz valer todo os dias, faça calor, faça frio, estando endinheirado, estando duro, de cama e tomando um café para viver melhor.
Que horas foram aquelas? Quais?

A hora da chantagem.Sem hesitação, tudo passou em sua cabeça como em um curta-metragem que bate na cara e fica, fazendo render discussões entre os moderninhos de plantão na única cidade que isto é possível (modernos também), aqui mesmo em São Paulo, metrópole de tantas caras e jeitos e afazeres.
Fora o último a perpetrar tal subterfúgio lançando mão de artefatos tecnológicos para provar tão antigo vezo humano: o de humilhar e ameaçar com violência extrema. Relutou, mas acabou entrando na luta com a chantagem. 
No tal curta-metragem curtiu-se mesmo o fim - um gran finale real, tal é a vida por aqui- com a resolução resiliente de seus problemas. Minutos de suspense hitchcokiano; claro que em preto-e-branco, filmado em película, cenário dos anos 1920. Tudo para compor sua razão em tal 'exploração'.
E findou-se assim a história.

http://www.stefanaurelius.eu/Censorship_And_Blackmail.html

terça-feira, 13 de novembro de 2012

VIAGEM LXXXVIII - AINDA A FUGA

Reprodução [sítio abaixo]
A fuga de tudo, de todos.
Faz com um pé nas costas
virando as costas para onde não
deve ficar; porque aqui não é mais seu lugar
nem o melhor, nem nada...
A fuga das pessoas da promessa
de uma ajuda tímida ou nenhuma;

de um quê de desdém e dó que danifica,
(domestica a direção que antes voltada para outros)
e acaba, então, por dominar tais relacionamentos.
A fuga, o que pode ser
acrescentado para que nem mesmo olhe para trás?
Ver lá longe, em frente, seguindo
sem muita certeza, apenas a certeza de poder esgueirar-se

daquelas tumbas farônicas que o consumiam
e que atado, preso, estava.
À fuga, soma-se um fôlego incansável,
invencível, respiração controlada e firme; 
tudo para firmar o que mais ele deseja: fugir.
E para isto, começou ontem, manter-se-á hoje
e amanhã, fugirá ainda mais.

Correr e correr: tamanho esforço
traz o esquecimento de tudo aquilo que ele virou as costas,
e sem mais, sem menos, deverá sentir-se aliviado
quando ainda estiver correndo e nem se lembrar mais 
o porquê de sempre olhar para frente.
A fuga o fará viver de uma outra forma, diferente,
eficaz para não desmesurar a tristeza. Esta desaparecerá.

Então, as rotas cordas amarradas, arames farpados retorcidos
e estas amarras que não permitiram amar a nada
e a ninguém, romper-se-ão feito fios de algodão doce
e assistirão sua fraqueza
diante da imensa força de homem em fuga
que conseguiu chegar em primeiro em algum ponto final
de uma corrida que nunca teve chance de ganhar.

http://www.flickr.com/photos/nataliyakhan/3388023029/

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

VIAGEM LXXXVII - DESPREPARO

Reprodução [sítio abaixo]

"E a incompetência, junto ao despreparo
formam a ignorância e o desrespeito.
Basta só chafurdar na lama bem preparada pelo despreparado para tantas outras coisas;
aí, vira-se refém desta ignorância que de santa não tem nada,
mas não é aquela de ignorar algo por falta de conhecimento
tão-somente por assoberbar-se em detrimento ao trabalho de outros.
Juntem tudo: o despreparo/incompetência
+ a lama do fundo
+ a intolerância
+ a falta de querer aprender
+ o desconhecimento das funções vitais
e mexam bem.
Dará nisto, um sem fim de mediocridades que se espalha por aí sem que algo possa ser feito.
Lá na frente, você tentará reverter o irreversível e será tarde,
muito tarde para qualquer reversão mínima que seja".

(mais um daqueles escritos que chegam para ele via correio eletrônico de endereços falsos, vindo sabe lá...)

Estes são os preferidos dele: aqueles que se fazem de bonzinhos, os dissimulados e aqueles que se julgam amigos para sempre desde a primeira hora que lhe veem, acrescentando toques, risos e comentários, todos para agradar seus ouvidos e assim fazer crer que são, de fato, os melhores amigos de todos os tempos. 
Para que tanto procurar? Nem preciso é: eles estão por aí, em todos os lugares, seja no centro de São Paulo, seja lá no deserto ressecado da Namíbia.
Como são farejados por ele de longe sem equívoco algum, ele para, olha e perscruta com vagar que só mesm o ele tem; e aí, certeiro, rápido em um átimo, ele se lança ao alvo: pode ser pela frente, pelas costas ou poelo lado. Até já fez por cima e por baixo. E deveria ter pudor por realizar algo pelas costas deste tão "bonzinhos" seres? 

Que tipo de problema há nisto?
Como ele é despossuído de tais características éticas que tanto agradam ao bom senso coletivo ("Bom senso? Coletivo? Hahaha..."), a coisa toda torna-se ainda mais vil e mais prazerosa para ele aplicar a correção aos despreparados que riem dos outros pela dissimulação que lhes é adquirida por livre vontade. E sendo quando eles não veem também é bom; o que acontece é que prefere que ele seja a última imagem a ter cognição pelas mentes dos escolhidos.
--- Mas se não der, faço mesmo pelas costas, sem problemas.

Passeando na segunda-feira à noite de chuva na grande urbe, as voltas por bairros menos visitados, a facilidade com que deve encontrar os 'taizinhos' de ambos os sexos fez que ele devorasse um tablete de chocolate até se esbaldar. 
O tesão do chocolate ao leite prolongar-se-á até que ele tenha voltado para casa: desmascarar os sonsos é um dos seus deleites que ele se permite à exaustão, tudo escorrendo pelas mãos e boca.

http://www.illustrationsource.com/oas/portfolio/1/

domingo, 11 de novembro de 2012

57 - ALEATÓRIAS HISTÓRIAS - FAZENDO-SE NOTAR: ESPELHO

Reprodução [sítio abaixo]
Certa vez, durante um daquele sábados que parece que só mesmo São Paulo tem - em pleno novembro, temperatura de maio, nublado e um certo frio -, ele se mede dos pés à cabeça e observa todo seu corpo pelo grande espelho da porta do armário embutido, com tamanho gigante em retângulo. Não que seja propenso a este tipo de vaidade, que ele julga menor, mas ele vive em um mundo que julga muito a tal vaidade no sentido de estética exagerada (qualquer uma, não apenas as de linhas apolíneas; diferenças são, em certas ocasiões, apenas diferenças...).
E são de todos os tipos: intelectual, financeira, física, de força, e tantas outras. 

Olhando pelo espelho ele nota, com certo atraso ou desleixo, que seu corpo passa por modificações ao longo das 4 décadas de vivência neste pedaço de terra. Algumas partes mantém-se intactas, mesmo com as tais décadas, como por exemplo os pés - motivo de gosto para ele - que nunca tiveram unha encravada nem outros problemas inerentes; verdade mesmo é que os acha bonitos e um tanto rudes, toscos, algo "neolítico". Subindo, pelas panturrilhas... Hum, hoje são melhores de quando estava no ginásio (é, ele é deste tempo de nomenclatura), em razão de ter sido corredor durante uns anos na faculdade. Treinava os 110 metros com obstáculos. Hoje são fortes na medida, condizentes com o restante. Condizentes? Vejamos mais para frente...
De cueca cinza, modelo sunga, sua observação caracteriza-se pela tenacidade.
Hirsuto não é, mas têm pelos como qualquer homem na medida, na média que existe por aí; nas pernas são mais adensados e encaracolados em tom castanho escuro.

Enquanto se observa com vagar e precisão, os outros dois habitantes do castelo invencível, se esbarram próximos a ele e iniciam mais uma das brincadeiras matinais: é o horário no qual ambos estão mais ativos e Felino, mesmo com idade avançada já em anos, dá chapéu atrás de outro no Rex, o jovem com gás todo. Rolam pelo chão da sala e Felino sai em disparada. Rex nem sempre consegue alcançá-lo. E é bom que o conselheiro-mor não deixe, porque o príncipe se joga em cima e fica mordendo sua orelhas. Nunca houve desgaste nesta relação porque parecem que tanto um quanto o utro sabem dos limites que suportam. 
A cena sempre o diverte e hoje ele ri muito, porque Felino deu um leve vacilo e Rex então o abocanhou pelo rabo. Rolam pelo chão do quarto, perto dele.

--- É pelas pernas, eu acho até que poderia sair por aí mais, de bermuda ou shorts. Estão bem plantadas, feito poste quase e disto eu não posso me queixar. Brancas como o resto do corpo porque não vemos areia, nem sol, nem piscina há algum tempo. Bem, nem gosto disto. São boas, parecem mesmo. Eu gosto. Combinam com os pés meio magros e ossudos. Flexionando posso ver a batata se fazendo presente. Delineadas, ok! Pensar que eu nunca joguei bola... As coxas são "ok" e só, nem muito, nem pouco.
E ri dele mesmo.
Com a segunda xícara de café puro na mão, ele continua a análise, nem tão desencanada assim como ele mesmo deve pensar. 
Subindo a coisa toda pode melhorar ou piorar...

Acima das coxas, no seu pau, tudo ok, mesmo que não o use há tempos; não está adoecido fisicamente, a coisa é outra. Nem mesmo circuncisão sofrera, quanto mais doenças venéreas e congêneres. "Está de quando você veio ao mundo hein, 'camarada'!". Quanto ao fisiológico, sim, ele está com sua fábrica de prazer legitimamente intacta e que deve manter-se assim por hora - leia-se por sem saber por quanto... O que balança em par... Balançando permanece, como coadjuvantes principais, ou melhor, co-protagonistas, de filmes que atuara no passado (seus amores, seus encontros casuais).

Logo por ali, acima do púbis, uma concentração maior de pelos, sem ser uma mata fechada, o que deve ter vindo dos dois lados da família; de quando em vez, dá uma aparada para que os fios não se embrenhem demais uns nos outros. A cicatriz pegada ao umbigo - um corte em um acidente quando criança - fechava com chave não sabe se de ouro todo o quadro do baixo-tronco. E o abdômen com uma pequena camada de gordura que adquirira ao longo da comilança de porcaria diurnas e refrigerantes noturnos, em permanente vigilância. "Tudo, menos barriga de homem que bebe cerveja em pé na porta com os botões da camisa mal se fechando. Isto é mesmo uma grande derrota, o que descombina com minha pessoa". 
Marca de sunga nunca tem quase nada, quer dizer, teve uma época que encanara em tê-la, e ele, parecido com um alemão tropical de branco que é, deveria ter marca  de sol para destacar as partes proeminentes escondidas quando às claras. Gostava de sol, mas de ficar na praia... Faz tempo que assumira sua brancura mais que paulistana.
Mexe os braços, dá uma volta e abraça o ar. Tudo isto ainda à frente do espelho para reparar no corpo todo com atenção redobrada; retorce-se, agacha. Nada de pele caída nos bíceps e tríceps que guardavam um pouco da tonicidade.

Barba cerrada, "um arame farpado!" quantas vezes ouvira... Pelo meio das maçãs destacadas até para baixo do pomo-de-adão, espraiando-se desde que começara a puberdade. Por outro lado, as entradas nos cabelos, antes avançando cada ano que passava, agora parecem que estancaram, com os fios brancos lutando para se destacarem entre os castanhos que insistem em ser maioria - na última vitória.
Nota também que a quantidade de pelos nos ombros vem aumentando um tanto desde que começou a notar alguns anos atrás; assim como nas orelhas: quando vê um, arranca veloz e sem dó. Suas costas, de largura média, apresentavam pequenos problemas de dores, ainda mais quando passava horas digitando e lendo: tudo parecia se esticar com uma faca cutucando ali, logo abaixo do pescoço.

Os bichos se aproximam reclamando atenção e carinho. Bem que ele tenta continuar o estudo de si próprio ("e quem mais?"), mas com aqueles bichos se enroscando nele, a coisa toda torna-se impossível. E ele sorri para os 2. 

http://www.customworldbedrooms.co.uk/blog/index.php/category/sliding-doors/

domingo, 4 de novembro de 2012

VIAGEM LXXXVI - A FUGA EM PAR

Reprodução [sítio abaixo]

eu quero fugir,
eu quero que você venha comigo,
eu quero ir bem longe,
segurando na sua mão, dedos entrelaçados.
Mas se você não quiser
eu arrumo outra mão para segurar
pelo caminho antes de chegar
longe, muito longe.
eu quero ver você ao meu lado
quero ver você tranquilamente

sabedor que você está ali, 
comigo, lá longe.
Mas se você não for, 
eu quero ou outro alguém, seja na cidade,
na metrópole, seja na praia, seja na montanha
qualquer dia, todo dia,
acordar de manhã e
ver você que tanto caminhou ao meu lado.
Mas só se você quiser, porque eu não posso arrastar você,

só se pelo meio do caminho você cair, esmorecer e adoecer,
aí sim, carrego para sempre junto de mim
que mais vai parecer 1 só de nós 2 .
Eu quero chegar onde tivermos que chegar,
para que a gente (re)comece de onde paramos, 
que pode ser lá de trás, ou logo ali atrás,
porque aqui, agora, o tempo não importa,
não valorizo este tempo nestes termos
de quantidade dele...Anos, décadas... Nada disto.

Mas, por tudo o que vivemos e/ou viveremos
porque lá, diante daquilo tudo que será a maravilha
de ter você ao meu lado, nos ruins e bons momentos,
o que vai valer: nós valeremos, bem distante daqui.
Vamos comigo? Será difícil (e o que não é?), 
porque somos diferentes,
mesmo que fôssemos iguais, seria difícil também.
Mas teremos um ao outro, andando juntos, segurando-nos.
E esta é minha segurança. 

http://thestar.com.my/news/story.asp?file=/2012/10/30/worldupdates/2012-10-29T215131Z_52_BRE89P05H_RTROPTT_0_UK-STORM-SANDY-HURRICANE&sec=worldupdates

sábado, 3 de novembro de 2012

VIAGEM LXXXV - DENTRO DA ÁGUA

Reprodução [sítio abaixo]
Nadando por segundos finais debaixo daquela água de treinar apenas,
o som é turvo e grave, sem muita inteligibilidade para ouvidos
que vez por outra - e a outra também - doem por conta da água da piscina
azul clara cheia de cloro, como seus olhos que ficaram vermelhos em dias
de intensa tensão provocada pelas - agora em oceano - ondas do mar que,
bravio e insolente, insistia em bater, rebater, respingar
o rochedo que formava como um elo sem fim.

Debaixo da água ele esquece e se concentra na dor dos tímpanos,
mas ele esquece o mundo da superfície que de superficial,
cansou-o sombremaneira, sobretudo por conta destes por aí
que falam que mergulham de cabeça e não mergulham coisa alguma;
e se mergulham, eles racham a cabeça no rasante que fizeram. Por que?
Porque é raso como epiderme exposta ao sol de fevereiro, "com muito amor".

Debaixo da água, movimentos são sinuosos como de sereias a cantar
o canto que tanto ensurdece marinheIros deste tempos de epopeia idílicas,
como aqueles gregos espetaculares ouviam singrando o Egeu, o Jônico, 
o Mediterrâneo, o Adriático, o Tirreno e quem sabe o Negro, neste esperando Netuno?
Por aqui por baixo, nos trópicos quase sem história de séculos e séculos,
as ondas que ele tanto viu, voltam espumosas e salgadas. Arrebentam.

Ele mergulha e o mar o traga para baixo, mas não para virar comida de peixe:
virar um deles e apenas nadar, domir de olhos abertos e vicejar um outro alguém...
Que ele dê conta n'água, só espiando a superfície para expirar o ar e sem expiar mais nada
do que fosse irrelevante e mais ainda: o relevante.
No mundo debaixo d'água, ele nada sem cansaço. Meio azul, por hora meio verde... 
Sem sentir qualquer dor.

http://www.sergeyorlovphoto.com/extreme-sport-freediving/h1B509694#h1b509694

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

56 - ALEATÓRIAS HISTÓRIAS - AMIGO CACHORRO, AMIGO GATO

Reprodução, cão e gato [sítio abaixo]
Realizar do trabalho de impressão do livro "Meu amigo é um cachorro; meu amigo é um gato" está sendo dosa mais difíceis para ele em todos estes anos de difulcudades como velhos e novos autores; os velhos porque se julgam merecedores de todos os rapapés disponíveis wemais outros indisponíveis e por venderem bem - pelo menos até o último trabalho - pensam que todo mundo - leia-se a editora - deve-se ajoelhar entoando loas e agradecer por tudo; já os novos autores, com a típica arrogância, julgam que eles são a inovação, o tiro certeiro, a cartada final (os adjetivos usados aqui se referem não à idade e sim tão-somente à entrada no mercado de autores e livros editoriais).
Bem pouco tempo atrás, ele se contorcia na cadeira de raiva quando um estes tipos aparecia e mostrava toda a maravilha de seu 'ser-escritor incrível'. Hoje, mais comedido e com um gingado na cintura invejável, ele consegue até mesmo recitar em pensamento um pequeno mantra de paciência. E finaliza tudo com um sorriso também comedido de anuência e depois faz o que deve ser feito: sempre se contrapõe aos novos e velhos, homens e/ou mulheres.

A dificuldade se mostra já no título: ele não o quer. Razões existem de baciada. Uma delas é que está "gay demais" e também ao mesmo tempo - "Um paradoxo (?) mesmo", como ele pensou - machista além da medida. "O que eu posso fazer para demover o veterinário de insistir neste título nada a ver?"
Reunir-se-ão, logo mais depois do almoço, para manter mais uma discussão acerca do título, ele, o autor, um assessor do autor e sua secretária.
Antes, ainda na manhã, ele toma o terceiro café quase sem açúcar e decide sair um pouco de sua sala e descer até o térreo para espairecer um pouco. Celular no bolso verificando as últimas do mercado de ações da Bovespa porque tem algumas aplicadas em uma empresa estatal, das grandes e bem rentáveis.
Saindo pela porta giratória aquele mar de gente indo e voltando, homens e mulheres, que andam pelo calor no mesmo ritmo de todos os outros dias úteis. Atravessa a avenida calmamente e entra na casa de sucos e pde por um açaí "saído do polo sul agora mesmo".
Enquanto espera, ele vê que suas ações estão subindo quase 5%, o que nestes tempos é coisa boa, nem perce que o sorvete-suco está pronto saindo vapor de frio de tão gelado.

"O que eu vou falar para o novo autor com relação ao nome? Ele me parece ser um cara decidido, firme em suas opiniões e acho que convencê-lo a mudar não deve ser tarefa fácil não. Mas este nome? Sei não, pode ser um grande encalhe... Pode ser".

Olha o relógio, marca o gasto com o gerente porque tem conta na "Sucaria Paulista" e sai ainda com o copo nas mãos Vê uma cara, que quase dá um encontrão nele apressadamente  passeando com um grande boxer macho meio adolescente, babando de espumar pela boca.
--- Desculpa, o Duque é atrapalhado que só vendo mesmo. 
--- Sem problemas. Ele deve estar com sede.
--- Está sim, por isto que voltar para casa logo para beber água e se deitar no chão frio da lavanderia, com as pernas abertas, lugar preferido dele. Depois da cama do gato que ele nem cabe mais.
--- Você tem um gato também?
--- Tenho e eles não se largam, vivem junto um do outro, dorme juntos, comem juntos.
E começam a conversar como só donos de cachorro pachorramente fazem quando se encontram desprentesiosamente. Ele acaba dando o resto de açaí gelado para o cão que gostou muito de ideia.
Subindo pelo elevador de serviço e cheio, com o ar-condicionado no máximo, ele muda de opinião em um átimo sobre o nome do livro.

"E porque não 'Meu amigo é um cachorro; meu amigo é um gato'? É diferente, é chamativo, é inusitado. E o que é um homem se não puder mudar de ideia logo depois de dobrar uma esquina com o pensamento fechado em uma questão? Ora, este sou eu e assim vai ser o nome e vai ser um sucesso de vendas. Vou ligar já para aquele jornalista que cobre novos lançamentos de livros para ele soltar um notinha em sua coluna, no site e no jornal amanhã. Já começei a definir a estratégia de marketing, agora preciso comunicar o departamento".

Além dele, do conselheiro-mor e do príncipe herdeiro, devem existir muitos outros mais por São Paulo. Devem não, existem, como ele acabara de comprovar diante da cena anterior.
Adiará o horário de almoço para depois da reunião das 14h. Pode ser mesmo que ele, o autor veterinário e um dos revisores-assistente saiam todos para comer juntos. Devem comemorar o início de uma parceria de muito $, de muitas exemplares que serão vendidos. Ele contabilizará mais um em sua carreira. 

http://ocdeals.ocregister.com/2011/04/03/cheap-things-to-do-this-fine-sunday/91083/cat-and-dog-friends/

domingo, 28 de outubro de 2012

VIAGEM LXXXIV - "ELE QUERIA SER O CÉRBERO"

Reprodução - Cérbero [sítio abaixo]

E fazer festa abanando o rabo como um cão domesticado e feliz quando chega alguém no portão, tão amável e dissimulado; mas não impassível. Para farejar tudo o que pudesse daqueles corpos e almas, ainda não penadas, porque a penalização mal terá acabado de se desenrolar feito novelo.
Mesmo uma lambida de boa vindas com a saliva grossa e viscosa - uma marca - que não sai mais da pele, ser-lhes-á dada até serem entronizados no grande quarto logo depois da entrada.

Ele queria ser o Cérbero para quando estes que entraram, quiserem sair, transformar-se-iam em pedaços que juntando tudo pela eternidade, a eternidade seria pouco tempo; seriam milhões de pedacinhos rotos.
Fazer como um cão sem dono vasculhando de longe o terreno dos vivos percebendo cada vez mais pelo faro os penetras no mundo dos mortos; aqueles vivos que morreram desta para pior.

Sentir o enxofre desde o início da caminhada subterrânea para que todos saibam que por este veículo de bancos duros e desconfortáveis do vagão que desce rumo àquele reino, o odor os envolva até causar dor de cabeça para todas as horas. O que é um aviso para irem se acostumando com o ácido de todo dia e toda noite sem falhar um minuto 
sequer. Denso, repugnante e pútrido.

Acorrentado como ninguém prometeu em vida, Cérbero possui uma boa zona de conforto com a distância de suas amarras, as quais lhe permitem quase chegar no topo e descer até seus portões; ninguém escapa depois de adentrar no buraco com o sol ainda em nesga a bater logo ali... Na entrada. Mal sabem...
Ele fica ansioso andando para lá e para cá arrastando a pesada corrente de ferro quando ouve o vagão descendo bem longe. Se o barulho de guincho do rolimã se confirma ele para. Fareja o ar, orelhas em pé, boca sem arfar. Atenção ao que vem lá de cima porque não mais sairão: porque não merecem.

Há tempos de muito movimento neste desce-desce que não tem mais fim e há tempos em que o movimento é menor. Nestes, Cérbero sobe quase à superfície e fica ganindo baixinho para que algum lá de fora  e de cima o ouça e se aproxime. Fica assim quanto tempo for preciso, com a precisão do relógio do tempo eterno, e só retorna quando a descida com o convivas se inicia ou quando sente uma puxada na sua corrente feita pelo seu dono que habita onde ele guarda.


Melhores são as vezes nas quais o movimento é intenso e desmedido. Ele trabalha com mais afinco e gosto porque acontecendo desta monta, a possibilidade de tentativas de fuga da ante-sala aumenta, e então, é quando ele realiza sua função de guardião de saída do reino dos mortos: ali não há saída. 
Porque para sair, Cérbero estará lá impedindo e acabando com a vontade de deixar o local para o qual tais que desceram foram destinados sem desatino algum, apenas com certezas.

http://ferrebeekeeper.wordpress.com/tag/vergil/

sábado, 27 de outubro de 2012

VIAGEM LXXXIII - TRUCULENTOS E ARROGANTES

Reprodução [01 sítio abaixo]
Pronto, mais um sábado de manhã para se deleitar com preguiça em prazeres da "carne" como fazia o cérbero ao guardar as portas do inferno e vigiar quem estivesse por lá. "Será que as três cabeças comiam ao mesmo tempo a carne dos 'pobres' moribundos que lá iam dar com seus costados de podridão em razão da vida que levaram aqui na superfície?".
Ele gosta mesmo é de pegar os truculentos que exercem toda sua "doce ternura" truculenta tanto fisica quanto psicologicamente. "Porque estes são os piores!"
No meio da manhã o calor se fazia gostoso e lascivo, como convém a nós, povo tão moreno e tão sexualmente fetiche de outros povos, de acordo como somos vistos em outras partes brancas e amarelas do planeta. Lascívia esta que os habitantes dos quatro pontos deste país gostam tanto de reforçar e dissiminar nada dissimulados mundo afora. E começam cedo, com nossas crianças tratadas como pequenos objetos (inocentes?) de desejos artísticos. "Estes pais e, mais ainda, estas mães são tão truculentas porque querem algo que muitas vezes os filhos não querem e se querem é em virtude de uma educação de sexualizar precocemente...".

Conservador e autoritarismo formam um duo em que ele não bebe nada daí.
Nem bebe nada de conceito algum, apenas ele vai lá, observa, escolhe e realiza. Nada além disto (porque ele nasceu para tanto). Ele forma o conceito que pode ser mutante ou duradouro até quando melhor lhe aprouver.
Reprodução [02 sítio abaixo]
Ele bebe é do que ele vê e vê muitos erros pragmaticamente programados para serem cometidos por alguns que, exercendo a truculência, impingem dor, tristeza, mutilação, abalos psicológicos, suicídios, acabrunhamento... Uma série de sentimentos que não combinam com o sol que batia no braço esquerdo, quente como só ele mesmo. 
Passeando pela urbe que não tem fim, indo para lá, para cá, vendo toda a cidade e suas pessoas, os milhões que transitam...
Há dois tipos que ele abomina com verdadeiro horror e são o alvo primeiríssimo em qualquer vez que saia para fazer o que tem que fazer: os arrogantes e truculentos; que nem sempre se combinam em uma mesma pessoa.

"Quando acontece de estas duas tão ternas características humanas se casarem em uma mesma pessoa... 'É com este que vou sambar até cair no chão...'. Porque não posso deixar passar né? Não que seja difícil assim, mas não é o mais usual, fato... Também porque quando o ser é arrogante, mas ainda mantém um mínimo de inteligência, ele disfarça a truculência. Coisa, aliás, nenhuma das duas quer dizer, se relaciona necessariamente com o poder do $. Tem desvalido, pobre, favelado e afins que também se encaixam no perfil. Claro que os poderosos, a eles lhes é mais fácil exercer a truculência aliada à arrogância, sendo estes os mais imbecis porque são os mais fáceis de pegar e acabar".

Reconhecer um dos alvos de hoje é tarefa fácil, "é mel na chupeta", coisa que em todos os casos é confirmado que o seu radar, mais uma vez e sempre, correto estará.
Andando pelas ruas que cercam o parque da Aclimação nada encontra e decide andar mais com o seminovo sedã de velho até o parque Villa Lobos, bem longe mais ao sul da zona sul onde ele está. Poucas vezes dirigira-se até lá e por isto, resolveu passear calmamente apreciando a paisagem urbana; antes uma parada para comprar litro e meio de água, tomar um café coado na hora, nem dar bola para o início da fome.
Pelo caminho com a boca amargada pela cafeína sem açúcar, a água chega à metade antes mesmo de percorrer a metade do caminho; quente e frio tudo ao mesmo tempo. Som ligado na mesma rádio que toca músicas eletrônicas suaves para contrapor à truculência e à arrogância, como a água e o café: são opostos e complementares.

01 - http://www.cyber-heritage.co.uk/badges/Tclass/New%20Folder/
02 - http://smallbiztrends.com/2012/06/pricing-approach-wallflower-jerk-or-conversationalist.html