segunda-feira, 11 de abril de 2011

ALGUNS VERSOS DE VERTIGEM

COLAPSO, EJACULADO, PENÚLTIMA
Tem algumas que chama a atenção. Não sei se a letra é maior que a melodia, ou se a melodia é que é maior...
Tendo de toda forma para letra. Nem sempre. Mas se for para tirar uma média, a letra ganha mais do que a melodia.
Juntas são o bicho.
Redescobri estes versos do Lobão, na "A Queda", acho que de 1995.
"Ante o colapso final a vertigem
próximo ao chão a penúltima descoberta
Que a lógica violenta das cores tinge"
O que pensar sobre isto? Primeiro ele inverteu os elementos da oração, predicato, sujeito... E afins. Negócio é que penúltima descoberta é uma grande sacada. Eu imaginei esta minha penúltima descoberta. Colapso final traz densidade. Vertigem é aquela sensação que passamos, bem humana. Densamente humana.
Mais para frente, ele usa um verbo, particípio passado de ejacular:. No mínimo, ousado.
"Ejaculado da velocidade terrível da queda
Ejaculado da velocidade terrível da queda"
(repete 2x)
Na penúltima estrofe, o deboche, o escárnio. O humor também no verso:
"Diante do medo um sorriso aeróbico"
Este é o máximo. Rasgadamente roto, 'desqualificado', e claro debochado. 
Escutem de novo prestando atenção na letra. Tão tempo depois eu a redescobri.
O link para o sítio tá aí. Acho que é um acústico da MTV.

domingo, 10 de abril de 2011

038 - SÃO O QUE SÃO

Lá naquele meio-dia de chuva, de sol, de vento e de tudo o que faz de São Paulo ser o que ela é - megalópole linda, brava e acolhedora - Duílio a pensar nas pessoas no chão a ziguezaguear em rapidez que assustaria qualquer guepardo. Um café preto, forte, quase sem açúcar a fumegar pela enorme xícara.
"Elas, as pessoas, são exatamente o que elas são. O Simão vive falando isto para mim. Lembro bem. Naquele dia que vomitava bílis, contraindo o estômago como eu nunca fiz, ele ficou batendo nos meu tímpanos sua voz grave e rouca afirmando que eu deveria ser mais atento, mais cuidados com quem eu me relaciono.
então, sempre há que se fazer um jogo? Armar estratégias?
Não se pode fazer aquilo que eu tenho vontade? 
Não, pelo visto não pode. 
Olha, as formigas lá embaixo começaram a correr da chuva. Vários guarda-chuvas, preto 90%, cinzas, alguns rosas...E isto é cor para o guarda-chuva? 
Só rindo mesmo.
São jogos, artíficios e eu nunca fui bom nisto. Bem que o Simão podia ligar. Faz tempo que não conversamos... Bem, desde anteontem.
--- Duílio, seu verme preguiçoso, o que você está fazedno?
--- Cara, pesei em você agora. Sério mesmo.
--- Tomar um sorvete? Naquela do Ipiranga que tem sabores o cacete a quatro? 
Com esta chuva diluviana ele quer tomar sorvete.
--- Passe aqui. Só vou pôr uma roupa mais decente para gente gelar a goela.
--- Decente? Vai assim mesmo.
E ri desbragadamente, só ele mesmo."
Ele pensa que além disto tudo deve haver uma companhia, um ser de verdade, sem jogos, artimanhas. Simão era o que mais se aproximava.

sábado, 9 de abril de 2011

037 - RAIZ E VIAJAR

"Viajar à toa sem ao menos deixar os pés plantados em algum lugar. Sabe aquela coisa de fincar raiz. Onde? Raiz? Nem sei mais onde é isto por que estar ali, ou lá... Não faz a mínima diferença. E olha, não é não para sentir pena, nem devo auto-imolar-me porque quem faz isto são aqueles loucos islâmicos de Gaza e alguns cristãos nas Filipinas. Não sintam dó não.
Passao ao largo desta galé romana navegando pelo Mare Nostrum.
Bem que eu queria estar cercado de terra como o mar imperial de Roma. Terra cria raiz não é mesmo?
Mas meu pés nem de barro são; carne, osso, artérias, pele, unhas... E isto tudo cria raiz?
Verdade que relevante mesmo é o dinheiro e viajar, com ele em mãos, eu iria para lugares bem diferentes: nada de Nova York, Milão ou Hong Kong. 
Sabe aquelas cidadezinhas perdidas no mapa que só aparecem quando a escala é aumentada? Então, são estas.
Gao, Moroni, Malé para citar algumas. E só em lugares quentes. Frio... Suficiente é meu corpo.
Calor só faz bem.
Pode ser em Tefé, Castries, El Alaiun.
E as raízes que eu falei lá no começo?
Olhem só: para ver, viver, compreender o mundo todo que cabe aqui dentro em tão pequeno pedaço do meu corpo, eu preciso de calor. Minhas raízes criar-se-ão onde eu estiver indo.
Bem que o Simão grita comigo quando e enquanto fico falando disto. 
Acho que eu levaria o Simão para Lobito ou Beira.
Vou ter que convencer porque ele é tão... Tão... Tão... Pragamático, resolvido, desencanado, fincado raízes e ele vai escutar o que tenho a contar."
Duílio caminhara até ao parque e ficou sentindo o cheiro de terra molhada sob um sol a pino, suando e vertendo química pelos poros.

domingo, 27 de março de 2011

036 - DAS CORES AGORA DO OUTONO

"O Simão sempre diz que esta coisa de cor não vale de nada... Quer dizer, ele disse, que somente pintores daqueles impressionistas, ou expressionistas, ou cubistas... o cacete a 4 é que se preocupam com isto. Verdade que aqui no Brasil, aqui em São Paulo quase não há diferença do sol de fim de tarde de outono, de verão; mas no inverno eu vejo a diferença. Outro dia mesmo o céu estava todo amarelado, um amarelo à vera!
Mas olha, nas minha entranhas existe tanto cor que fico me perguntando se alguma prevalece. Deve ser o vermelho do coração... do sangue? 
Só sei que ainda sinto o gosto da bílis de onte, amarelo-esverdado. Ninguém para me segurar a cabeça aqui em casa. 
Moro só, aqui na Vila Mariana, colado ao metrô onde milhares, milhares passam todo dia! E eu passei mal só mesmo, só que antes a companhia foi das maiores. Um bolo de gente dançando naquele lugar meio ermo, iluminado. Cheio de narcísicos corpos, cheio de drogas extasiantes que extenuaram meu fígado.
E eu aqui, ao lado do metrô, ainda sentindo o gosto do fel. Escovei os dentes mas não passa. Acho que é uma bílis moral. Podem ter certeza.
Sem proteção alguma, eu fiz o que fazia tempão eu não fazia. O Simão até me avisou e colocou no meu bolso. Que nada, nem lembrei.
--- Duílio, seu idiota! Duílio. Não é assim não cara! Amanhã tudo vai estar exatamente igual e você vai estar... estar... Ah, que se foda. Eu não vou encapar ninguém não. Você que se vire.
--- Do que você está falando? Eu não faço sexo, porra, faz meses. Não vai ser agora.
Foi.
--- Depois você vai dizer que eu sou pequeno-burguês, e eu sou mesmo, porque vocação para ser comuna nada feito. De vermelho só meu pau quando tá bem duro. Para com esta mania de querer fazer ao mesmo tempo, isto é coisa para quem tem 18 anos. E você, classe média remediada já passou desta fase".
Àquela hora a garoa envolveu o lugar ermo iluminado. Duílio sentiu suas sobrancelhas inundadas, a garoa caindo em sua pele oleosa da noite de horas e horas; e sem camisa sentia um frio gostoso. Olhando para Simão, viu-o acompanhado com mais 3 caras rodeando uma mesa ao abrigo da garoa.
"Depois penso nisto tudo. Simão está me chamando".
Ele foi e o amigo lhe emprestou o moleton de zíper para que não se resfriasse. Pelo visto, não adiantou muito.

sexta-feira, 18 de março de 2011

FIM DE VERÃO

Tépido
Agora vai começar, em dias, o outono. Os dias começam a ficar mais curtos, anoitece mais cedo e o frio aumenta. Será que no inverno que se avizinha repetir-se-á os invernos anteriores, sem mudança alguma. Eu espero que não, porque aquela fase do "não adianta", também não adianta. Eu ainda vou lutar um pouco e tentar rearranjar a caixa-forte daqui de dentro; só não mergulho como o quaquilionário Tio Patinha.
Com sabor de fruta mordida. Que é muito mais gostoso!
(o verão está nos estertores, é verdade, e hoje o dia esta lindo!)

quarta-feira, 16 de março de 2011

PREPOTÊNCIA, SEMPRE O RETORNO

CHEFETES
É assim mesmo, os chefetes que se espraiam como tsunamis e se espalham como chuchu na cerca buscando sempre em quem posso alagar e trepar (seguindo os verbos anteriores). E encontram claro. Porque intimidam e gostam de fazê-lo.
Tamanha pobreza de espírito nunca vi. E me surpreendo sim! Porque um dia em que eu parar de me surpreender com a torpeza dos déspotas 'sapiens' estarei me igualando a esta corja desprovida de benignidade. Malignidade como um câncer que chega, derruba e mata.
Aqui, no caso, é uma morte na auto-estima, no humor do dia e tudo o que eles - os chefetes - sabem bem fazer. E o fazem porque têm uma característica primiera para exewrcitar o poder: a prepotência.
Chegam e mandam. Não pedem. Humilham.
São canalhas, tanto homens como mulheres; pobres e ricos; brancos e negros e amarelos; gays e heteros; belos e feios... Todo ser humano pode pôr em prática sua esquálida e pior faceta: a prepotência.
Voltarei ao assunto e prometo que retomarei as escritas no blog.
Abraços a todos e aos prepotentes... Quero desconhecê-los e distanciaá-los de mim.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

OS IMBECIS DA PREPOTÊNCIA

RAPINEIROS DE PLANTÃO
Sim, são os prepotentes, os vulturinos de plantão, pronto a despedaçar carne morta - bem típico deles - e, porque não reiterar, também despedaçar carne de gente viva. Estão a bicar com seus pontiagudos bicos as recônditas áreas de nossa auto-estima.
Claro que o estrago pode ser bem grande de proporções tsunâmicas.
E se não nos é direcionado - a tal da prepotência - também não pode ser ignorado puramente. Os pequenos chefes, os chefetes de 5ª categoria, os grandes poderosos, os 'chefões', são quase todos prepotentes porque o negócio de mandar nos oustros deve mesmo ser a picada da mosca azul. Inebriante. Como daquelas drogas que usamos uma época de nossa vida e que nos fazem com que sintamos o poder, a delícia de mandar, de desmandar.De escarnecer as pessoas.
Aí, fico a me perguntar onde é que eles vão parar? Olha, eu creio que as pessoas possam mudar - eu mudei - portanto, deve-se sempre dar uma 2ª... 3ª chance... e quantas cada um de vocês julgarem necessárias.
Só que para cambiar o jeito rapineiro, vulturino, de disputar o butim dos 'menos favorecidos', em que estes são a carne a ser bicada, despedaçada, tem-se mesmo que refletir até o fim do cansaço que isto possa provocar.
A prepotência. ela não vai embora assim, assim. Não.
Primeiro o prepotente deveria considerar o que seus atos causam. E olhar, simplesmemente olhar, a sua volta e ter a abstração da fineza em perceber que não se vive sozinho. E que prepotência está diametralmente oposta ao que Jesus Cristo fez, disse, provou...
Que humildade Dele. O cara era foda.
Já estes "serzinhos" dos infernos dantescos... Abutres!

domingo, 2 de janeiro de 2011

035 - VÔMITO E FEL

"Hoje eu vomitei até a bílis, líquido amarelo-esverdeado ou verde amarelado, de um gosto de fel amarrando as papilas gustativas que eu tenho. Vomitei, sem medo, sem dó, e onde quer que eu fosse pela casa, sentia náusea. A última - não sem antes contrair o abdômen tentando controlar - nem deu tempo de chegar ao banheiro e esparramei o fel pelo chão alvo e quadriculado dele. 
Minha garganta esta arranhada de tanto que fumei ontem e só faz piorar com esta bílis que cheira mal.
Comecei a passar mal no bar mesmo, em Vila Monumento, e o Simão insistiu para que eu tomasse uma coca-cola e eu virei mesmo é na vodca com energético que agora, só de lembrar, me enjoa.e me enoja. Bem, que eu deveria ter ouvido a voz da razão. Ou pelo menos ser parecido com o Simão um pouco - eu nunca o vi passar mal por nada; nem por trabalho, nem por amor, nem por noitada alguma. Sem arrependimentos.
Sabe, que para falar a verdade, esta sensação de fel eu venho sentindo desde que eu comecei a beber, quer foi na mesma época que eu comecei a me masturbar, freneticamente: bebida e punheta. 
Agora, sem vontade nenhuma de bater uma punha, mas o vertedouro de bebida que é meu cérebro não para de aumentar seu fosse e hoje eu acho que o fígado, o pâncreas, a vesícula reclamaram e resolverão, resolutos, se vingarem deste fodido-nauseado aqui, 
Que sensação horrível esta de salivar esperando refluxo gástrico.
Tá bom, ninguém me obrigou; eu me obriguei. E para mim é bem pior. 
Nossa... banheiro de novo".
Seguiu naquele domingo vomintando seu estômago para fora só lembrando de tudo come era e como é hoje: diferente na idade, no tempo; igual no fel, na vontade de querer continuar.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ABSTRAÇÃO

TÃO HUMANOS
Ganância.
Exploração.
Censura.
Canalhice.
Soberba.
Violência.
Intolerância.
Inveja.
Preconceito.
Egocentrismo.
Este último acomete a humanidade em quase sua totalidade, ou seja, dos 7 bilhões de habitantes, creio eu, são poucos os que não são egocêntricos ensimesmados nos respectivos umbigos podres. E porque será que possuem o egocentrismo entranhado em seus hemisférios cerebrais?
Não sei responder esta pergunta ao certo.
Sei que eu também faço parte dos 7 bi e todos aqueles substantivos - que de abstratos são somente semanticamente - podem ser aplicados a mim. 
O que é de um... "mais do mesmo". 
Porém, eu fazer parte não me imiscui de tecer considerações acerca de algumas 'características' tão humanazinhas. Critico mesmo e que foda.
Afinal, para se ter um mínimo de lucidez se faz necessário uma crítica aos meus companheiros de convivência e a mim também. Só para contrapor os 'fodões, os melhores, os campões, os mortos de querer sempre estarem acima'. O que importa aos campeõs, aos donos, aos patrões, aos puxa-sacos é consiste em chegar ao topo.
É uma pena, porque estas críticas não mudam nada. Expressões tão-somente.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

VIOLÊNCIA, CANALHICE E VERGONHA

O CAPITALISMO TRIUNFA; TEM QUE MELHORAR
Bem que o tal conceito de mais-valia - como o Carlos Marx definira acertadamente - se aplica à perfeição ao capitalismo moderno (?) que sempre está se renovando (?) em busca de novos ganhos, em busca de novas explorações para que ele - o capital - sobreviva e viva às nossas custas.
Não, aqui não cabe aquele papel, hoje idiota e retrógrado, dos esquerdistas do final dos anos 60 em que o embate entre capitalismo e comunismo estava em voga; mesmo porque o comunismo se demonstrou um grande fracasso, vide a União Soviética e Cuba; lá na ilha a liberdade de expressão é censurada, então, que socialismo é este?
Ser esquerda hoje não é pregar contra a existência do capital, necessariamente, mas que ele seja mais humano, mais democrático, mais igualitário em termos de oportunidades. Só que a violência contra os que não se coadunam, por alguma maneira, ao modus vivendi logo é enxergado com uma carga de intolerância.
Não? Ingenuidade dizer/crer que o capitalismo inclui todo mundo. Porra nenhuma.
Bem, e a violência contra os mais pobres?
E contra os gays? 
Contra os índios? Deficientes? E os animais?
Estes grupos hão que se organizar politicamente, já, porque senão a vergonha que lhes é impingida e aos que possuem o mínimo de respeito, não cessará. 
Quem não vê os assassinatos de gays? O suicídios dos índios no Mato Grosso do Sul? A matança de animais (para 'acalentar' nosso ego narcísico e soberbo)?
Negros e mulheres vêm se articulando desde a década de 1950 e conseguiram consideráveis avanços. O Barak está aí, a Roussef também... Só para citar exemplos aleatoriamente.
E a canalhice que governos cometem todos os dias contra nossos salários?
Roubalheira, posso dizer. 
Fora toda a classe prepotente, seja qual for a prepotência exercida.
Jesus Cristo é meu refúgio. Ele está lá, aqui, aí... Vendo tudo.
Quanta vergonha!
Quanta canalhice!
Eles devem achar lindo perpetrar tais matanças (nós todos sabemos quem são eles...).